CNS e ANS reúnem setor para analisar impacto da crise sobre a Saúde Suplementar
Com o objetivo de discutir o impacto da crise econômica mundial sobre o setor de saúde suplementar, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) realizou, em parceria com a Confederação Nacional de Saúde (CNS), um seminário que reuniu cerca de 80 convidados, entre representantes de hospitais, operadoras, autoridades e indústrias farmacêutica e de equipamentos médico-hospitalares.
O evento, que foi conduzido pela Diretoria de Normas e Habilitação de Operadoras (DIOPE), avaliou o impacto da crise em âmbito mundial – com a participação de representante do International Finance Corporation (IFC), do Grupo Banco Mundial -, nacional e especificamente no setor de saúde suplementar. A conclusão, de acordo com o diretor da DIOPE, Alfredo Cardoso, é que não há sinal de crise no setor.
Segundo a ANS, o elo mais frágil na saúde, hoje, seriam os hospitais, tendo em vista o desequilíbrio entre as fontes pagadoras, isto é, no acerto de operadoras com os hospitais; e das instituições com os fornecedores. Além disso, as instituições hospitalares possuem maior dificuldade para garantir sua liquidez financeira.
Nesse sentido, o governo deve dar início a um estudo a respeito da regulamentação sobre os investimentos estrangeiros para prestadores, como já é feito com as operadoras de planos de saúde. A medida foi considerada positiva. “A regulamentação sobre a abertura do capital das operadoras, por exemplo, rendeu às empresas um investimento de R$ 3,5 bilhões. Hoje, existem três operadoras - Amil, Medial Saúde e Odontoprev – no mercado que abriram capital e têm tido rendimentos positivos na bolsa de valores”, argumentou Cardoso.
A ANS pretende, agora, aprofundar a discussão sobre a recessão e a adoção de medidas para minimizar o impacto da crise sobre o setor. As proposições serão, posteriormente, enviadas e discutidas entre a ANS, o Ministério da Saúde e o Ministério da Fazenda. Saúde Pública
Para o presidente da Frente Parlamentar de Saúde (FPS), deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), que também participou do encontro, o evento foi “muito proveitoso”, uma vez que permitiu uma avaliação de todos os setores. Ele disse, ainda, que foi possível perceber que, apesar da recessão que já começa a atingir outros setores, a saúde está conseguindo se manter estável.
Contudo, conforme argumentou, já se percebe uma redução do investimento no SUS, por parte das prefeituras. O dado, apresentado pelos representantes da indústria médico-hospitalar, apontou que a saúde pública está temerária quanto o “desfinanciamento”. Além da redução no volume de compra para o SUS, percebe-se, também, uma diminuição na contratação de profissionais.
De acordo com Perondi, falta ao governo perceber que “a saúde é uma potência e responde bem ao investimento”. Ele informou que, segundo dados oficiais, a taxa de desocupação aumentou 2%, refletindo diretamente na queda do PIB. “No setor de serviços, no entanto, do qual a saúde é o carro-chefe, foi registrado um nível de postos de trabalho estável. Não adianta o governo apenas aumentar a força bruta de capital fixo, investindo em maquinário. Se o governo viabilizasse o PAC da Saúde e reduzisse a taxa de juros do BNDES de crédito para a saúde, este esforço já seria válido”, disse. O deputado reforçou que a Saúde responde mais rápido aos investimentos do que a cultura familiar, uma vez que investir na saúde rende mais empregos “do que reduzir o IPI das montadoras”.
De acordo com o presidente da CNS, Dr. José Carlos Abrahão, o encontro foi muito importante, uma vez que reuniu representantes de toda a cadeia produtiva para discutir, juntos, soluções para o setor. “Os dados mostram que temos um setor forte, que apresenta bom desempenho e que está trabalhando com medidas contra-cíclicas, para manter os resultados positivos”, afirmou.