Golden Cross comprará carteira da Sul América

A carteira de seguros individuais de saúde da Sul América será vendida por R$ 50 milhões à Golden Cross, que possui hoje cerca de 600 mil vidas no País. Caso a negociação seja concluída, a Golden Cross se transformará em uma das maiores operadoras do setor de saúde suplementar no País, absorvendo, aproximadamente, 1,1 milhão usuários. Em Pernambuco, a Sul América possui entre 90 a 100 mil clientes (individuais e coletivos).

Segundo fontes do setor, a carteira individual da Sul América estava enfrentado prejuízo devido ao grande número de clientes idosos, o que eleva a taxa de sinistralidade (gastos das empresas com procedimentos médicos). Desde 2003, a seguradora deixou de vender planos individuais. A empresa pretende continuar operando apenas contratos coletivos.

O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) condenou a negociação, informando que a possibilidade de livre negociação de carteiras de planos de saúde de operadoras saudáveis, sem qualquer tipo de anuência do consumidor, fere seu direito de escolha assim como suas prerrogativas contratuais. Se o consumidor quisesse contratar outra empresa, que não a Sul América, teria feito desde o início, sendo totalmente despropositado que agora se veja “empurrado” para outra operadora.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ainda não foi informada sobre as negociações. Nenhuma das duas empresas fala sobre o assunto. A assessoria de Imprensa da Sul América informou que a “política da empresa é não tecer comentário sobre suas operações comerciais”. (Folha Online / SP)


Dezesseis mil pessoas terão aumento nos planos

Cerca de 16 mil pessoas, clientes da Unimed, terão o plano reajustado em até 50%. Segundo a empresa, o aumento foi autorizado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), após o julgamento de liminar pedida pelo Movimento das Donas de Casa, em 1999.

A entidade teria pedido o cancelamento dos reajustes em planos de saúde. A proposta tramitou durante seis anos até a decisão final do júri.

Ainda de acordo com a Unimed, apenas as pessoas que ultrapassaram a faixa etária dos planos, sofrerão o aumento. O grupo representa 2,7% dos clientes da empresa.

A decisão foi na última semana. A assessoria do plano de saúde disse que já começou a divulgar o reajuste. Os clientes são informados por uma carta que segundo a empresa, possui os valores do reajuste. Eles variam de acordo com o plano e tempo de contrato.

Segundo apurou a "Globo Minas", a decisão do TJMG foi em última instância e não cabe recurso. Os clientes podem entrar em contato com a Unimed através do telefone 0800 30 30 03. (O Tempo / MG)

Dentistas declaram ‘guerra’ aos baixos repasses de planos

Os odontologistas do Grande ABC se preparam para guerra contra os baixos repasses de planos de assistência. Terça-feira à noite, uma assembléia foi promovida por entidades de representação da categoria, com a meta de criar uma união entre os profissionais. Assim, se tentaria conseguir melhores valores por atendimentos por meio de planos de saúde.

O Moviodonto ABC (Movimento dos Odontologistas do ABC) é formado pelas regionais da APCD (Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas) de Santo André, São Bernardo e São Caetano, além do Sindiodonto ABC (Sindicato dos Odontologistas do ABC).

Terça-feira, na sede da APCD de Santo André, foi eleita uma comissão de profissionais que vão ser a liderança do Moviodonto ABC. “Essa comissão terá poder de negociação com os planos de saúde”, conta o vice-presidente da APCD de Santo André, Wilson Gabellini.

De acordo Gabellini, o principal objetivo do movimento será se opor aos baixos valores repassados por planos de saúde. “Somos muito mal-remunerados pelos planos odontológicos. Essas empresas defendem algo que simplesmente não existe no mercado. São oferecidos planos completos para o consumidor, a um custo de, por exemplo, R$ 15 por mês. Agora, se eles cobram um preço de banana, acabam por contratar um profissional também a preço de banana”, conta.

Ele explica que os baixos valores de repasse são ruins para todos, menos as empresas de convênio de saúde. “Nem para o cliente é um bom negócio. Porque por esse preço, muitas consultas são com profissionais sem experiência. Não é sem preparação, porque a faculdade dá toda a base. Mas esse trabalho também tem muito de prática”, conta.

O odontologista ressalta, porém, que não se trata de confronto com as empresas. “Não queremos que os planos de saúde acabem. Não queremos boicotar essas empresas. O que buscamos é uma remuneração justa”, explica.

Retrospecto – A organização dos odontologistas lembra o movimento dos médicos, que desde o começo de 2004 pedia melhores repasses dos planos de saúde. “É um movimento exatamente igual”, conta Gabellini. “O médico fez isso, reuniu toda a categoria, fez sua negociação e hoje tem resultados garantidos. Queremos o mesmo. A gente está se baseando neles. Até a pessoa que nos assessora na administração é a mesma”, conta o vice-presidente da APCD de Santo André.

Essa pessoa é Marta Sandra Patrícia, que faz consultoria administrativa na área de saúde. Ela lembra que a organização dos médicos trouxe frutos para aquela categoria. “Foi um movimento bem forte, que deu muito resultado para a área médica. Fizemos uma medição e descobrimos que em algumas clínicas, houve um crescimento de 23% no faturamento”, diz.

Mas ela ressalta que o papel dela é apenas administrativo. “Como eles não têm tempo de organizar, eu faço a documentação, a preparação e o contato com os planos de saúde para conversar com os odontologistas. Eu que cuido da papelada”, diz. “Agora, ressalto: não vou fazer a negociação, são eles. Os odontologistas é que vão fazer o movimento”

Para Gabellini, isso não deve ser problema, já que a meta final é popular entre os profissionais. “Não é uma idéia nova entre os odontologistas, é algo que vem de longe. O problema é que a classe é dispersa e não houve muito sucesso em ocasiões anteriores”, ressalva. Marta avisa: “Muito depende disso – da união deles.” (Diário do Grande ABC / SP)
 

Avanço sobre a Sulamérica

Golden Cross negocia a compra dos seguros de saúde individuais da concorrente. Vale a pena?

Em pouco menos de dez anos, a trajetória da Golden Cross sofreu uma guinada de 180 graus. De vendida, a operadora de planos de saúde carioca passou à condição de potencial compradora. Adquirida pela Cigna em 1997, a companhia escapou por um triz da falência dois anos depois, quando a controladora americana entendeu que já havia perdido dinheiro demais no Brasil (US$ 320 milhões), fez as malas e foi embora.

De lá para cá, a Golden Cross recolocou suas contas no azul e reencontrou o caminho do lucro. Agora, prepara-se para dar um enorme passo rumo à parte de cima do ranking do setor. Negocia a compra da carteira de planos individuais, para pessoas físicas, da SulAmérica. O negócio, segundo informações de mercado, deve girar em torno dos R$ 50 milhões e ser anunciado dentro de algumas semanas. Quem já viveu experiência do gênero diz que a transferência de uma carteira é um processo que leva, no máximo, 90 dias para ser concretizado.

O passo em questão é tão ambicioso que muita gente no mercado suspeita de que seja maior do que as pernas da Golden Cross. Para recuperar a saúde financeira, a companhia passou por um minucioso trabalho de reestruturação, comandado pelo atual presidente, João Carlos Regado. Abandonada pela controladora e endividada até o pescoço, a empresa passou por uma faxina geral, que culminou na redução de sua carteira de dois milhões de vidas para cerca de 500 mil – concentradas em planos empresariais.

Caso a compra da operação de seguros individuais da SulAmérica vingue, esse número deve dobrar. Mas com uma clientela evitada pela maioria das medicinas de grupo. “A Golden Cross vem se recuperando bem, com estratégia focada em planos empresariais”, observa o médico-empresário Silvio Corrêa da Fonseca, um dos sócios da operadora de planos de saúde Lincx. “Comprar uma carteira de pessoas físicas agora não é normal.”

A SulAmérica vem tentando se desfazer do negócio de planos individuais há pelo menos quatro anos. Desde o início do ano passado, a seguradora não vende mais este tipo de produto – principal responsável pelos prejuízos apresentados por ela até 2005. Trata-se de uma carteira deficitária, com média de idade elevada e índice de sinistralidade (ocorrência de cirurgias, exames, etc.) de 79,4%. “Com uma margem dessas, é prejuízo na certa”, afirma Leopoldo Barros, da consultoria LBarros.

O patamar considerado aceitável pelos técnicos do mercado é de, no máximo, 75%. “A venda dos planos individuais seria, sem dúvida, um grande negócio para a SulAmérica”, diz o consultor Roberto Castiglione, da Castiglione Business. “Mas será que o contrário é verdadeiro?”

Naturalmente, por trás do avanço da Golden Cross deve haver uma estratégia de negócio. O principal desafio é convencer o maior número possível de clientes da SulAmérica a migrar do seguro saúde (com reembolso de despesas obrigatório) para o plano de saúde. Assim, a Golden Cross, que trabalha fortemente com rede própria, teria maior controle sobre as despesas e melhores condições de combater as fraudes.

“Uma maneira de fazer isso é oferecer planos com coberturas mais amplas do que as oferecidas pela seguradora”, cogita Walter Graneiro, da Capitólio. Além disso, com a carteira da SulAmérica, a Golden Cross ganharia escala e seus custos administrativos seriam diluídos. Por ora, a SulAmérica limita-se a dizer que não comenta boatos de mercado. E a Golden Cross explica que prefere não se pronunciar “para não atrapalhar a negociação”.

* R$ 50 milhões é o valor estimado da carteira da SulAmérica

* R$ 320 milhões foi o prejuízo da Cigna com a Golden Cross nos anos 90 (Revista Istoé Dinheiro)

Médicos heróis
O drama dos médicos que cumprem jornadas exaustivas em hospitais públicos e muitas vezes precisam decidir qual vida salvarão primeiro em meio a tantos doentes graves

Todos os dias eles levantam bem cedo, vestem aquelas roupas brancas e entram na luta para salvar pessoas. Trabalham as horas que forem necessárias, muitas vezes nos finais de semana. Fazem parte do batalhão de médicos heróicos que enfrentam a precariedade da saúde pública do País, ganham pouco (alguns menos de R$ 2 mil por mês) e não raramente vivem o drama de ter que escolher se cuidam de um paciente em estado crítico, com chance zero de sobrevida, ou de outro com condições um pouco melhores, mas também pequenas, de recuperação. A qual deles dar prioridade? “Aos dois”, responde o oncologista infantil Sidney Epelman, 48 anos, presidente da Associação para Adolescentes e Crianças com Câncer (Tucca), capaz de trabalhar mais de 12 horas por dia em sua clínica e no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para cumprir todos os compromissos.

Além da atividade dupla, Epelman lidera um trabalho social no Hospital Santa Marcelina, em Itaquera, periferia de São Paulo. “Digo que tenho três filhos, um deles é a associação.” No Brasil, ele diz, surgem sete mil novos casos de crianças com câncer cerebral ao ano, sendo a leucemia a mais freqüente. “Recebemos pacientes que vêm do Acre, outros que chegam de Manaus depois de viajar 15 dias de barco e até índios. No Brasil, anualmente, são diagnosticados 1.4 mil novos casos de tumor cerebral. A maior incidência ocorre entre a faixa etária de quatro e nove anos. Se tratados adequadamente, mais de 60% destes pacientes seriam curados.

Supostamente, quando o hospital tem boa estrutura, a medicina pode ser humanizada e o médico, menos sobrecarregado. Isso seria verdade se o sistema de saúde funcionasse bem de forma geral. Mas o estado comatoso da saúde pública no Brasil faz com que nem mesmo um hospital bem equipado consiga manter seus profissionais longe de uma rotina dramática. Esse é o caso do Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into), no centro do Rio de Janeiro, um hospital público federal referência no tratamento de doenças ortopédicas, inclusive algumas raras, como osteogênese imperfecta (popularmente conhecida como osso de vidro), e que oferece boa estrutura de atendimento. Apesar disso, médicos como o ortopedista carioca Celso Rizzi, 40 anos, coordenador do Serviço de Ortopedia do Instituto, precisam dedicar-se quase que integralmente para atender à demanda.

“Temos uma fila de espera de seis meses”, diz. “Recebemos gente de vários Estados. Acabamos tendo um excesso de pacientes muito grande”, explica. Rizzi recebe salário mensal de R$ 1,4 mil e trabalha em média 40 horas por semana. Para completar a renda, trabalha em dois outros hospitais particulares na cidade.

Como mora na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, e os hospitais são no centro – distantes em torno de 30 quilômetros –, ele acaba vivendo mais dentro das instituições e do carro do que com a família. Sua jornada começa entre 4h e 5h, quando acorda para fazer atividade física antes de começar a batalha. Pouco depois das 6 horas já está a caminho do instituto. Voltará para sua casa pelo menos 12 horas depois. Raramente com a sensação de dever cumprido, embora dê o sangue no trabalho.Fim de semana poderia ser de descanso, mas nem sempre é. Rizzi e seus três colegas ortopedistas do instituto fazem mutirões de cirurgia nos sábados e domingos para tentar acelerar a fila de espera.

“Já trabalhamos fora do Estado do Rio também. No início a fila diminui, mas depois volta tudo ao que era”, reflete. Se o mutirão é fora do Rio, o médico recebe adicional de R$ 400. Se for na própria cidade, nada é pago. Ninguém reclama: Rizzi é um daqueles médicos “de antigamente”, que entende a medicina como uma missão. “Além do trabalho assistencial, acabamos tendo também um trabalho científico adicional”, conta. “Temos de passar nossas experiências – às vezes, em doenças raríssimas – para outras pessoas. O médico tem a função de transmitir experiência aos mais jovens”, completa.

Ao ser perguntado sobre o último momento dramático vivido no instituto, Rizzi responde: “Vivemos isso diariamente.” E explica que, por não estar diretamente ligada à idéia da morte, sua especialidade não é tratada como alvo de urgências ou dramas. “Problemas ortopédicos não matam, mas deixam seqüelas tão graves que podem significar a morte para o doente. Não lidamos diretamente com a morte, mas com problemas graves a longo prazo. No dia-a-dia, somos obrigados a selecionar alguns casos que estão no fim da fila, mas que não podem esperar. Fazemos a opção de passar aquela pessoa na frente para que não tenha seqüela maior. É triste, mas é a realidade que a situação nos impõe.

”É tão triste que o Brasil apareceu recentemente em 81º lugar em uma lista de 178 países, atrás de nações como República Dominicana, El Salvador e Namíbia, numa pesquisa que buscou mapear o bem-estar do planeta. Foram usadas informações da Unesco, da CIA, a agência de inteligência americana, e da Organização Mundial de Saúde. A conclusão é a de que fatores como saúde e educação são determinantes na hora de se aferir o nível de felicidade de uma nação.

A real sensação de felicidade é a que mostra pacientes e familiares ao deixar o pronto-socorro do Hospital das Clínicas, o maior hospital da América Latina. Por ali passam 700 pessoas por dia, sob a supervisão de Soraya Baraket, uma médica de 46 anos que se diz bem estruturada para enfrentar a enxurrada de tragédias que chegam todos os dias. “São 20 anos de trabalho e isso cria uma forte barreira de defesa”, ela diz. Mesmo assim, não escapa de se envolver com as desgraças de uns e outros.

“Todos os que trabalham no pronto-socorro são heróis. Só mesmo com muita convivência o impacto não é avassalador. O pronto-socorro funciona 24 horas, o que permite a entrada de pacientes com problemas menores, como uma simples dor de cabeça. Isso sobrecarrega a estrutura e prejudica o atendimento de pacientes em estado mais grave.

Outro exemplo de superação e dedicação à saúde pública é o trabalho da equipe do oftalmologista Newton Kara-José, 66 anos, professor-titular da USP e Unicamp e chefe de oftalmologia dos hospitais das duas instituições.

Um de seus orgulhosé o Projeto Cataratas, um mutirão de cirurgias que, desde 1986, já atingiu mais de 900 mil pessoas com este problema nos olhos. Seu trabalho envolve crianças, algumas vezes vítimas de glaucoma, o que parece inimaginável para quem não entende do assunto, mas acontece. Falta dinheiro e atenção do governo, sobra afinco de médicos como Kara-José para enfrentar a realidade precária. O queé isso, senão heroísmo? (Revista Istoé Dinheiro)