ESPECIAL OIT
CONFIRA O RESUMO DO PRIMEIRO DIA DA 98ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO TRABALHO EM GENEBRA
O coordenador do Conselho Jurídico da CNS, Dr Alexandre Venzon Zanetti, está participando da 98ª Conferência Internacional do Trabalho de 20009, em Genebra – Suíça, no período de 02 a 19 de junho de 2009, como representante da área da saúde, compondo a delegação oficial brasileira.
A Convenção inicia com uma peculiaridade marcada pelos acontecimentos econômicos que assolam o mundo. Historicamente, a Conferência define seus temas dois anos de antecedência, e neste ano foram escolhidos os temas ‘HIV/ AIDS no local de trabalho’ e a ‘Igualdade de gênero com eixo no trabalho descente’.
Contudo, diante dos fortes efeitos da crise econômica, em meados de novembro a organização entendeu que deveria ser incluído em pauta o tema, “Enfrentando a Crise Mundial. A recuperação mediante políticas de trabalho decente”.
Referente ao tema da HIV/ AIDS, há entre os governos uma preocupação muito grande, tendo em vista que a estimativa é de que 40 milhões de trabalhadores com idade entre 15 e 49 anos estejam infectados com o vírus do HIV. Assim, há um grande contingente da população economicamente ativa infectada com o vírus.
Com o avanço da medicina não se pode comentar a respeito da expectativa de vida para o portador soro positivo, pois, não há mais limite se controlada a presença do vírus, contudo, a preocupação é quanto a discriminação chamada horizontal, àquela que acontece na sociedade entre as companheiros de trabalho amigos e o meio onde o portador tem suas relações sociais
No Brasil já é possível constatar um avanço, porém, países como a África onde apenas 12% da população tem acesso ao teste e somente 11% tem prevenção à transmissão vertical, qual seja, àquela transmitida pela mãe ao filho através da amamentação.
Para se ter uma idéia, para um combate mais efetivo, seriam necessários cerca de 42 bilhões de preservativos por ano, mas a produção mundial é de apenas 15 bilhões, gerando um déficit anual de 27 bilhões, fazendo com que apenas parte da população tenha acesso.
O Segundo tema proposto é a discussão do avanço da OIT na assistência das comissões tripartites, o destaque dos esforços na aplicação das resoluções e políticas da OIT e a delimitação de um plano estratégico por meio das discussões para os próximos trabalhos, relacionado-os a noção de direitos humanos, justiça, lógica na eficiência econômica e prioridade de desenvolvimento, com o intuito de, assim, evitar desigualdades.
Em relação o tema inserido de última hora, a crise econômica, o objetivo da discussão é buscar a manutenção do emprego diante de realizações e concessões possíveis.
Há indícios de que haverá um aumento de 10% no desemprego no mundo e de 50% no número de trabalhadores pobres. Isso se deve ao aumento de falências, em especial das micros e pequenas empresas, ao aumento da informalidade e do descumprimento da legislação trabalhista, afetando, por conseqüência,a proteção social para a maioria dos trabalhadores do mundo.
SEGUNDO DIA DA 98ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO TRABALHO EM GENEBRA
Após o credenciamento dos delegados iniciou-se a reunião da Organização Internacional dos Empregadores (OIE). O debate teve questões administrativas, acerto de contas e aprovação de orçamento.
Na ocasião, houve a eleição da nova diretoria, sendo o Dr. Dagoberto Godói, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), eleito para o conselho da América Latina.
A OIT preocupa-se com o trabalhador e suas possibilidades de trabalho com dignidade, e dentro dessa grande organização, é que a OIE atua para mostrar as dificuldades dos empregadores nessa complexa relação entre trabalhador e empregador.
Após as solenidades e a eleição da nova mesa, conselho e diretoria, a OIE tratou de firmar diretrizes para os participantes delegados dos empregadores na convenção.
A grande preocupação, referente ao trabalho em si, é dirigida para o continente Africano, dito como o mais defasado em termos de legislação e condições de trabalho.
A discussão predominante diz respeito à crise econômica e o seu reflexo no cotidiano, a geração de empregos e a necessidade de se fazer acordos para tratar da crise nas diferentes realidades dos países. A OIT deve ter uma reação à crise e sem dúvida saberá qual será o caminho e o que deverá ser feito para privilegiar o social neste momento de forma responsável e sustentável.
Nesta reunião, houve a divisão das comissões de trabalho, sendo que o Dr. Alexandre Zanetti, integrará a comissão HIV/AIDS, relacionada à saúde.
Ressalta-se que a atenção com a crise financeira é muito grande, contudo, a mesa diretora esclareceu que realizará esforços para que as discussões não permaneçam exclusivamente em torno desse tema. Entretanto, os que não tratarão da crise econômica serão periféricos. O tema central, certamente, será este momento em que o mundo passa e a grande preocupação com a manutenção e geração dos postos de trabalho.
A delegação brasileira foi convidada a participar da reunião preparatória com Embaixadora da missão brasileira, Maria Nazareth Farani Azevedo (foto), que é representante permanente do Brasil nas Nações Unidas (ONU).
Também estiveram presentes os membros do governo brasileiro, representantes dos empregados e empregadores, debatendo a participação de nosso país na Convenção e sua importância.
NOTÍCIAS DA 98ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO TRABALHO DE 2009
Na última quarta feira, dia 03, o dia iniciou com a reunião do grupo dos empregadores na Organização Internacional dos Empregadores (OIE), por volta das 9h da manhã. Foram definidas as pessoas que integrariam as comissões para o desenvolvimento dos temas - cinco ao todo - a saber: Comissão de Proposições, Comissão de Normas, Comissão sobre HIV/AIDS, Comissão sobre Igualdade de Gênero e a Comissão Plenária, que irá discutir os efeitos da crise e como sair dela.
Como noticiado, O Dr. Zanetti, compõe a Comissão que discutirá HIV/AIDS, tendo em vista que tal tema se relaciona com a saúde.
Em reunião com a Embaixadora Maria Nazareth, mencionou-se a preocupação do setor com o desdobramento da crise que se avizinha, na medida em que nossos estabelecimentos estão lotados, o que pode significar uma demanda extra das pessoas que estão cumprindo prazos finais em seus planos de saúde, bem como os rumores que já acontecem no setor quanto à dificuldade de pagamento pelos serviços prestados.
Nesta reunião dos empregadores, ficou definida, pela Comissão que abordará o tema de Igualdade de Gênero, que a duração da discussão desse temário será de dois dias, tendo em vista ser um assunto que não necessita de mais tempo, e assim permitirá a ampliação do tempo para a discussão do tema central da Convenção, que é a crise na economia e sua repercussão na geração e manutenção dos empregos.
Por volta das 10h30min, ocorreu a abertura oficial da Convenção. Com plenário lotado e discursos inflamados, todos os que fizeram uso da palavra mencionaram a grande preocupação com a grave crise econômica, em cada país, e os efeitos desta no mercado de trabalho. Participam da Conferência em torno de quatro mil delegados e conselheiros.
Durante a abertura, foram eleitos os delegados e o presidente dessa edição, o Ministro do Trabalho de Bangladesh, Sr. Khandker Mosharraf Hossain. Referindo-se à crise econômica e social global e os valores que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) representa, o Ministro afirmou que “a situação precisa de uma resolução verdadeiramente coletiva e um plano coletivo de ação. Ao centro disso, um modelo combinado deve promover trabalhos e trabalho decente. Caso contrário, uma decadência social global será difícil evitar”.
É importante lembrar que a tendência de pensamento da OIT é assegurar a dignidade do trabalhador e, dentro dessa perspectiva, é que se ouviu muitas críticas em relação às vultosas quantias usadas pelos governos para salvar as instituições financeiras. É consenso entre os participantes do encontro que tais financiamentos trariam mais resultados se aplicados na cadeia produtiva para a geração e manutenção de empregos, com a concessão de benefícios possíveis.
Sucederam a abertura oficial duas reuniões temáticas, com a participação do representante da CNS: a reunião dos empregadores que discutem HIV/AIDS; e, posteriormente, a reunião plenária tripartite, com a presença do governo, empregadores e empregados, para iniciar a discussão do tema.
Genebra é uma cidade democrática por estar presente a sede da ONU, da OMC, da própria OIT. Dessa forma, diversas manifestações acontecem nas suas avenidas e parques. É mais ou menos o que temos em Brasília, nos grupos dos sem terra, sem teto, sem casa, que reivindicam seus direitos.
Uma cidade democrática sem dúvida. Segundo ouve-se por aqui, essas manifestações são diárias e das mais diversas.
QUARTO DIA DA 98ª CONFERÊNCIA DA OIT
Na quinta-feira (04/06), a reunião dos empregadores repassou os posicionamentos do dia anterior e o andamento das comissões. Com a duplicação dos trabalhos do dia anterior; a realização de duas reuniões por comissão; e duas reuniões plenárias por tema, entre outros, o quarto dia da Conferência apresentou-se mais complexo. O esforço, no entanto, foi necessário para se cumprir a intenção de terminar a parte de discussão dos trabalhos nesta semana para adiantar as conclusões e deixar a semana seguinte para a relatoria das propostas que serão apresentadas.
Na comissão de HIV/AIDS não houve debates acalorados. Os textos já existentes no âmbito da Organização Internacional do Trabalho (OIT) refletem o pensamento de empregados e empregadores, bem como de boa parte dos governos presentes.
O presidente da Comissão de HIV/AIDS da parte patronal, o queniano Patric Obath, tem uma condução tranqüila. A grande divergência está na transformação que a OIT aplicará aos textos que já existem.
Em relação à proteção e discriminação aos portadores de HIV/AIDS, a comissão formada pelos trabalhadores solicita que o decidido na Conferência da OIT adentre em seu ordenamento jurídico, dessa forma, pode ser melhor fiscalizado quanto à busca do cumprimento dos países membros.
Contudo, a tendência é de que surjam recomendações - que não têm tanta repercussão e imposição, mas que são usualmente usadas pelos países membros em suas políticas sociais e no desenvolvimento de ações de prevenção e combate à discriminação. Há um consenso de que outras enfermidades hoje estão mais em evidência do que o HIV/AIDS, além do entendimento de que o mundo carece de ações governamentais e não de empresas e empregados. Essa Comissão Temática é conduzida pela Ms. T. Nene. Sclezi, do Congo.
A expectativa é que, na próxima segunda-feira (15), seja possível repassar ações do governo brasileiro sobre esta questão, por meio da consultora para HIV/AIDS e assessora Técnica da Unidade de Articulação com a Sociedade Civil e Direitos Humanos do Ministério da Saúde, Ângela Pires Pinto.
Referente à Comissão de Gênero, os membros salientam a riqueza dos intercâmbios dentre as diferentes e antagônicas dificuldades encontradas pelos países que vivem realidades absolutamente diferentes. Não há como comparar a questão de gênero, de trabalho e de dignidade entre Zâmbia e França, por exemplo, mas todos entendem que esse intercâmbio fortalece as posições do plenário.
Há uma constatação de idealismo e ideologia - possivelmente exagerada - por parte das comissões dos trabalhadores. Esta postura dificulta os trabalhos e conclusões, principalmente no que se refere à aplicação da convenção nº 183 da OIT que se refere à proteção da maternidade e à igualdade de valores pagos aos trabalhadores com mesma função.
Há uma tendência de que se mantenham os textos das Convenções n° 100 e nº 111 no que diz respeito à igualdade de gênero e não há espaço, no momento, para assimilar mais direitos e cláusulas, além dos fundamentais, até porque, neste momento, o importante é a busca da sustentabilidade da empresa.
Quanto à questão econômica, ocorreram debates intensos e divergentes. Os mais assediados painelistas do dia anterior, Richard Newfarmer, diretor do Banco Mundial; e Marco Terrones, subchefe de Estudos Econômicos do FMI, não trouxeram novidades. Tampouco apresentaram propostas para avançar na busca de soluções para a crise econômica que está instalada no mundo.
Assim, existem dois lados diametralmente opostos. O posicionamento das instituições financeiras, já supracitadas e a contraposição das Comissões dos Trabalhadores, que culpam os banqueiros, o governo e o sistema capitalista existente no mundo pela crise. Este grupo, insiste que a partir de agora deverá haver um novo modelo, mas, contudo, não apresentam, com clareza os moldes do novo sistema.
Há muita crítica relacionada às manifestações de alguns de ressuscitar regimes socialistas, trazendo exemplos conhecidos de Cuba e Venezuela, rechaçados pelos participantes como reconhecidamente falidos.
Há também um discurso forte no que se refere à questão social do emprego, mas não há profundidade da discussão econômica nesta área e esse é o momento em que estamos vivendo.
Observam-se críticas ao modelo capitalista atual, mas nada de diferente é apresentado como solução a este sistema. Eis que é o modelo adotado no mundo. Já os conferencistas do Banco Mundial e do FMI entendem que há indícios – ressaltem-se apenas indícios - de progressos no combate à crise e que os primeiros resultados positivos de recuperação dos mercados estão aparecendo. Cada país está trabalhando com base em sua realidade e há consenso de que deve haver mais ajuda aos países da África, principalmente, que não possuem condições de combater a crise por suas próprias forças.
Ademais, as empresas são tratadas como vítimas dessa crise e não como centro das discussões.
De qualquer forma, a tendência das discussões é de que sejam necessárias mais ações dos governos, mais controle da economia, mais regras para o mercado financeiro. Mas sem que isso seja início de um novo capitalismo, porque as crises são cíclicas, tendo sido registradas uma nos anos 1970, outra nos anos 1990 e a atual recessão. Em um mundo globalizado, essas situações servem de reestruturação e revitalização do capitalismo existente e nunca como indício de fim.
CONFERÊNCIA DA OIT INICIA SEGUNDA SEMANA DE TRABALHOS
Após um final de semana de grande trabalho para as relatorias - que condensaram todas as últimas discussões -, a segunda-feira começa com a mesma programação da semana anterior, porém, com uma ampliação nos horários de debates para avançar nos trabalhos e tentar minimizar os efeitos da grande quantidade das emendas e propostas que são apresentadas. Para que se tenha uma idéia do volume de trabalho, somente na Comissão de Gênero foram apresentadas 80 emendas ao texto proposto no final de semana.
Os membros das relatorias, que trabalharam ao sábado, criticaram a estrutura do evento. Segundo relatos, não havia aclimatação, alimentação e as condições de iluminação também eram precárias. A especulação que se faz é que o Palácio das Nações, onde se localiza a Convenção da OIT, não estava com sua estrutura preparada para trabalho aos finais de semana. Os líderes também se queixaram da ausência dos delegados titulares dos países.
Outro problema citado foi quanto à atitude do Irã. Segundo os relatos dos membros da Comissão de Normas, não foi constatado nenhum avanço na condição de trabalho para os trabalhadores, como é cobrado desde 1997. Segundo o relato, o governo ignora as disposições da OIT que são propostas, não apresenta intenção de atender nenhuma deliberação e encaminha para membros escolhidos dentre seus partidários, o que não permite as discussões tripartites corriqueiras.
Na Comissão AIDS/HIV, da qual a CNS faz parte, não houve avanço significativo. O presidente Patric Obath, do Kenya, reclamou bastante do tempo perdido com a discussão de que tipo de documento seria proposto – se convênio ou recomendação -, conforme foi abordado na semana passada. Os trabalhadores insistem em discussões ideológicas e na sugestão de que, ao final do trabalho, seja apresentado um convênio. Contudo, após muito tempo de debates, os trabalhadores retiraram a emenda que trazia tal sugestão. Assim, a tendência é que a proposta final seja pela recomendação.
Há nesta Comissão muitas emendas também, o que atrasa o trabalho, pois todas têm de ser analisadas para a apresentação nas Comissões finais.
Como já foi colocado, esse tema não tem conotação de relevância no Brasil, enquanto recomendação da OIT, tendo em vista o avanço do assunto por parte do Governo e a colaboração da sociedade geral quanto à prevenção.
“Atualmente mais de 600 mil pessoas vivem com HIV no Brasil, muitas delas na faixa de 15 a 49 anos, correspondendo à faixa etária de pessoas sexualmente ativas e também a manifestação da força de trabalho do país. Apesar do HIV não ser transmitido pelo ar, apertos de mão ou mero contato com uma pessoa infectada, pessoas que vivem com HIV são constantemente impedidas de exercer seu direito ao trabalho.
A introdução da terapia antirretroviral no Brasil e a promulgação, em 1996, da Lei n. 9.613 possibilitou o fornecimento de medicamentos ARV a todas pessoas que dele necessitarem e com isso promoveu o aumento da sobrevida de milhares de soropositivos. Atualmente, viver com HIV e AIDS no Brasil, se diagnosticado precocemente e realizado o tratamento correto, pode ser comparado a viver com uma doença crônica.
Entretanto, o estigma e a discriminação continuam sendo alguns dos principais desafios para o enfrentamento da epidemia. Como reflexo no mundo do trabalho, observamos diversas violações de direitos humanos que se manifestam com a exigência do teste para o HIV para efeitos de admissão, permanência e demissão, com situações de assédio moral e de quebra da confidencialidade quanto ao estado sorológico.
Há vários anos, o Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de DST e AIDS, apóia mais de 40 ONG’s, cada ano, para assessorar juridicamente as pessoas que vivem com HIV. Muitos dos casos atendidos referem-se ao mundo do trabalho, não apenas no setor privado, mas também no setor público. Não raramente editais de concursos públicos fazem a exigência ilegal do teste anti-HIV. O banco de dados de violações de direitos humanos, também criado pelo Programa Nacional de DST e AIDS, cujos registros são efetuados por essas ONG’s, mostra mais de 500 casos, sendo a grande maioria referente a situações relacionadas ao trabalho, ainda que indiretamente – é o caso dos benefícios assistenciais e previdenciários.
Para enfrentar tal situação, governo, em parceria com os diversos atores, incluindo grandes empresas, tem levado ao local de trabalho informações sobre a prevenção e o diagnóstico do HIV, bem como o combate ao estigma e a discriminação.
Uma parceria importante é a estabelecida com o Conselho Empresarial Nacional para Prevenção do HIV AIDS, criado em 1998, que reúne 18 grandes empresas de vários setores como alimentação, eletrônicos, bancário, publicidade, dentre outros. Em 2005, o Conselho criou um prêmio que reconhece e publiciza o esforço de empresas no enfrentamento da epidemia.
A 98ª Conferência Internacional do Trabalho, que acontece em Genebra, Suíça, de 02 a 19 de junho, nos dá a oportunidade de rediscutir a temática do HIV no mundo do trabalho e de revisar, no plano nacional, nossa legislação, estratégias, programas e práticas. A delegação governamental trazida para esta Conferência é composta de representantes dos Ministérios do Trabalho, da Saúde e das Relações Exteriores, e da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids, refletindo o compromisso brasileiro de uma resposta conjunta à epidemia do HIV, que leve em consideração principalmente as necessidades das pessoas afetadas”.
Nas discussões do Plenário, sobre a crise econômica, os debates se sucedem de forma ideológica, o que gera uma distância gigantesca entre os pensamentos do empregados e empregadores. Os coordenadores estão preocupados com tamanha disparidade de pensamentos, porque há consenso entre os líderes conferencistas de que se faz necessário no momento fortalecer a economia de mercado, evitar nesse momento o protecionismo e respeitar o direito dos trabalhadores e das empresas, naquilo que é possível em cada realidade de cada país.
Há uma reclamação de que as conclusões devem ser mais específicas, sem tanta interferência de políticas populistas e ideológicas quanto à vontade dos trabalhadores. Chegou-se a comentar sobre o clima bélico existente numa discussão paralela e não central no tema política salarial, fato que desagradou a cúpula da OIT, já que este não é o espírito que deve prevalecer no encontro.
Há um debate esperado sobre globalização mais justa, o que não vejo como possível e conclusivo, e isso é opinião pessoal, pois aqui estamos diante de realidades muito distintas, países que têm dificuldades primárias e outros com realidades diferentes.

Seguem as rotinas de trabalho com a reunião diária da OIE, onde se faz o relato dos acontecimentos e andamentos do dia anterior.
Antes de adentrar nos resumos, bem como em uma maior explanação quanto ao andamento da comissão de Gênero, é necessário salientar a presença do diretor Geral da OIT, Juan Somávia, do Chile, durante a reunião. Somávia fez um breve discurso sobre o momento atual da OIT e a especial conduta da entidade netse ano, tendo em vista a inclusão do tema da crise econômica de última hora.
Salientou, ainda, em seu discurso, que não há saída visível para a crise econômica ou de emprego, senão pela união de trabalhadores, governo e empregadores. Salvaguardar os interesses de todos dentro de uma possibilidade de sustentabilidade se mostra necessário e eficaz nesse momento.
O diretor ressaltou a vanguarda da OIT, que consegue discutir a crise em tempo real, enquanto a atenção do mundo que está centrada para o que se pode construir em conjunto - trabalhadores e empresas - e que esta união pode levar à construção de soluções proporcionando um resultado histórico, que deve despertar a atenção de todos os governantes.
Ele lembrou, também, o marco da OIT, voltado para o trabalho decente, mas que o mundo deve atentar para a questão da sustentabilidade necessária para a manutenção das empresas.
“Não há solução mágica”, sustentou Somávia, até porque as realidades dos países são muito diferentes, por isso, entende que estas soluções devem gerar discussões também na Organização Mundial do Comércio - OMC, para a aplicação de soluções encontradas na Conferência de forma particularizada a cada realidade.
O diretor da OIT concluiu que a cooperação dos países, desde os mais favorecidos aos mais necessitados, como alguns africanos, deve manter-se firme e constante, porque desde outubro não há nenhuma manifestação que não enfatize a crise econômica e sua gravidade.
Relatos
A Comissão de Gênero é, aparentemente, a mais avançada no momento - uma vez que já indica um posicionamento conclusivo sobre sua área de análise na Conferência-, embora, conforme salientou a presidente do grupo, Maria Fernanda, haja 43 emendas por parte dos empregadores, 80 por parte dos empregados e cerca de 40 delas que serão apresentadas pelos Governos. Entretanto, não há menção alguma para novos convênios ou recomendações, o que agiliza o trabalho.
O Tema mais discutido foi o trabalho de igual valor, conforme já aponta Convenção de nº 100 da OIT, e ficou definido que não haverá avanço da nº 111 quanto à discriminação. Há consenso sobre a questão e, a partir disso, a Comissão deve apresentar um texto único. A redação deve apresentar a necessidade de formalização do trabalho, bem como a igualdade de tratamento para as mulheres, o que beneficiaria não só os trabalhadores em geral, mas também as empresas e a economia mundial como um todo.
A Comissão sobre HIV/AIDS avança lentamente. São muitas emendas aos textos já existentes - nenhuma significativa -, mas intervenções de pontuação, troca de palavras que não alteram o sentido, e mesmo a adequação quanto à tradução, para que tenha sempre o mesmo significado em inglês, francês e espanhol.
Nesta terça-feira, foi mencionado que os trabalhadores perderam definitivamente a batalha para que se criasse uma convenção sobre esse tema, e deverá surgir do texto final uma recomendação, como já vínhamos noticiando nos últimos dias. Hoje, nessa comissão o trabalho será de tentar tirar essas emendas do caminho para avançar no texto nas reuniões plenárias tripartites.
Nesta quarta-feira, o texto será especial, tratando sobre as discussões em relação à crise econômica e o que se tem dito sobre o assunto durante a Conferência. Teremos a participação de Marcelo Garcia, representante da Confederação Nacional da Agricultura (CNA); e de Maria Cristina Guedes, que está na Europa fazendo Mestrado sobre Administração Internacional.
JUNHO
02 a 19 – A Organização Internacional do Trabalho (OIT) promove sua Conferência Internacional do Trabalho, com o tema “As estratégias destinadas a superar a crise de emprego”. Mais informações www.cns.org.br.
08 – A Unidas realiza o curso Responsabilidade Civil na área de saúde, com o objetivo de oferecer aos profissionais da área de saúde e demais interessados conceitos básicos de responsabilidade civil que possam ser utilizados na prevenção de riscos e solução de problemas decorrentes de suas atividades. Sob a ministração do advogado especializado em Direito Empresarial; Penal e Econômico; e dos Contratos, Dr. Luiz Fernando Moreira, o curso é dirigido a gerentes e diretores de Operadores de Planos de Saúde e de empresas prestadoras de serviços nesta área, advogados e estudantes de direito, médicos, auditores, contadores, atuários, peritos e demais interessados em conhecer este ramo de atividade. Mais informações: (11) 3289-0855, com Regiane F. Cazzaniga ou pelo e-mail: treinamento@unidas.org.br.
22 – A Unidas promove o curso Medicina Baseada em Evidências para gestores de saúde, com o objetivo de apresentar a questão como indispensável no processo decisório. O foco será nas interfaces da MBE frente às dimensões econômica, éticas, legais e de qualidade assistencial. O curso será ministrado pelos professores Dr. Enéas José de Mattos Faleiros e Dr. Otávio Clark. O evento é dirigido a Gestores de Operadoras de plano de saúde, com ou sem formação específica em área de saúde. Mais informações: (11) 3289-0855, com Regiane F. Cazzaniga; ou pelo email: treinamento@unidas.org.br.