Leia nesta edição:

- Classe D agora tem plano de saúde e seguro de vida

- Repúblicas do Câncer

- Instituição é referência e tem fila por vaga

- Vacina para diminuir casos de câncer

- De cada R$ 1 gasto em prevenção, plano de saúde economiza R$ 2

- Miguel Couto passa por processo de informatização

- Cirurgia épica ao som de rock

- Médicos de São Paulo lançam atestado digital que deve dificultar as fraudes

- Contrariando Justiça, profissionais de saúde continuam fazendo acupuntura

- Música ajuda transplantes

- Notícias sobre a tuberculose

- A acupuntura deve ficar somente nas mãos dos médicos?

- Crise econômica é a maior ameaça à saúde no planeta, alerta presidente do Conselho Nacional de Saúde

- Papanicolaou em homens detecta tumor anal

- Cresce vacinação contra HPV em mulheres mais velhas

- Idoso pode pagar menos por plano

- Mutações genéticas elevam risco de autismo, diz pesquisa

- Pesquisadores sequenciam DNA de bactérias

- Gripe A faz terceira vítima do ano no Ceará

- Lições que vêm de casa

- ONU elogia Brasil por suas ações de controle da tuberculose

- Hospitais e Clínicas devem adotar Programa Nacional de Qualidade em Mamografia

- Fabricantes terão que atualizar número do Disque Saúde nas embalagens de cigarros


Segunda-feira, 09.04.2012 

VALOR ECONÔMICO

Classe D agora tem plano de saúde e seguro de vida

Até pouco tempo atrás, era impensável ver famílias da classe D contratando um plano de saúde ou uma empregada doméstica. Mas hoje isso já acontece. Elis de Oliveira, 36 anos, por exemplo, paga R$ 150 por mês para uma vizinha ajudá-la a cuidar de sua filha de dois anos. Ela trabalha seis vezes por semana limpando escritórios, ganha um salário mínimo e arca sozinha com gastos com a babá, já que é mãe solteira. A sorte, diz ela, é que não paga aluguel, porque mora na casa de sua mãe.

A população de baixa renda está gastando mais com itens antes acessíveis apenas às classes mais altas, revelam os dados da pesquisa do Cetelem BGN, braço do banco francês BNP Paribas. Por exemplo, em novembro de 2011, as famílias das classes D e E destinaram em média R$ 49 à assinatura de TV a cabo ante R$ 68 da classe C, R$ 300 para empregada doméstica ante R$ 114 da classe C, R$ 152 para combustível ante R$ 102, R$ 157 para educação ante R$ 171 e R$ 101 para convênio médico ante R$ 76.

O incremento da procura por esses serviços por parte de brasileiros da base da pirâmide está ligado ao aumento da renda da população e ao nível de empregabilidade no país, diz Luciana Aguiar, antropóloga e sócia-diretora da Plano CDE, consultoria que estuda a população de baixa renda. A classe D com emprego formal deve estar pagando o seguro-médico junto com o patrão. Além disso, é comum também as famílias contratarem um plano quando um parente enfrenta problemas de saúde, diz a executiva.

Ela conta a experiência que teve ao visitar uma família da classe D em Recife (PE). Na casa, moram quatro pessoas: pai, mãe e dois filhos, um deles com asma. Eles contrataram um plano para o filho asmático. O outro, quando ficava doente, ia ao sistema público de saúde ou a clínicas de periferia, que cobram R$ 40 pela consulta, por exemplo, relata. Se o crescimento [da contratação de planos de saúde por famílias da classe D] está acontecendo, merece certo destaque. Esse público tem dificuldades de pagar as contas com certa recorrência.

De fato, essa expansão está acontecendo. Segundo uma pesquisa do instituto Data Popular feita à pedido do Valor, estima-se que 4,4 milhões de pessoas da classe D possuam plano de assistência médica. O número corresponde a 9,3% dos brasileiros dessa camada social que vivem em áreas urbanas. As mulheres são a maioria, com 57,2%.

O acesso aos empregos formais possibilitou à Classe D, através de planos empresariais, a contratação de seu primeiro plano de saúde, que na maioria das vezes, é direcionado aos filhos. Conhecendo as vantagens desse benefício, esse brasileiro faz propaganda para o vizinho, que hoje em dia já busca por planos populares com preços que caibam no seu bolso. Para ele, fugir da fila do SUS é um grande alívio, explica Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular.

Jorge Pinheiro, presidente da Hapvida, afirma que o mercado de seguros-saúde para classes populares está crescendo a passos largos: só no ano passado, a empresa ampliou a carteira de clientes em 21%. A operadora cearense, focada nas classes C e D e que possui forte presença nas regiões Norte e Nordeste, registrou um aumento de 15 mil para 85 mil clientes individuais somente na Bahia, entre 2010 e 2011.

O Grupo Bradesco Seguros também está investindo em produtos para a classe D. Por exemplo, o Primeira Proteção Bradesco, um seguro de vida por morte acidental com parcela mensal de R$ 3,50 lançado em janeiro de 2010, atingiu cerca de 1,5 milhão de apólices vendidas em março, dentre as quais 65% correspondem a indivíduos da classe C e 35% da classe D, explica Eugenio Velasques, diretor-executivo do Grupo Bradesco Seguros e presidente da Comissão de Microsseguros e Seguros Populares da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNSeg).

Para desenvolver os produtos para a baixa renda, pesquisadores do Grupo Bradesco moraram em casas de famílias das favelas de Heliópolis, em São Paulo, e da Rocinha, no Rio de Janeiro, durante seis meses. Eles concluíram que o principal temor dos moradores desses locais era não ter dinheiro para pagar as contas (56%). Em segundo lugar, com 30%, ficou o medo de acidente que levasse à morte.

Velasques acredita que as famílias da classe D têm potencial para serem grandes consumidoras de microsseguros. Estudos mostram que há uma forte correlação entre o crescimento do crédito e o consumo de seguros, avalia. Para a classe D, é muito importante proteger qualquer patrimônio e melhora de vida conquistados. Quanto maior tiver sido o esforço para conquistar, maior será a vontade de preservar, diz.

A classe D também apela cada vez mais ao crédito. Um indício disso é que do total de unidades já entregues pelo Programa Minha Casa Minha Vida, 49,9% foi destinada a famílias com renda de até R$ 1 mil, segundo a Caixa Econômica Federal.

Anibal Fernandes, diretor-executivo da Rede Banorte, banco com forte atuação no Nordeste, relata que os empréstimos consignados para essa camada têm dobrado ano a ano na rede. No ano passado, 80% do volume emprestado foi direcionado a famílias com renda mensal inferior a R$ 1 mil. Na maioria dos casos, trata-se do primeiro empréstimo, diz. Além disso, 50% desses tomadores adquiriram no banco seu primeiro cartão de crédito.

Maria José da Conceição, 48 anos, moradora de Recife (PE), está entre esses tomadores de primeira viagem. Tomei um empréstimo consignado no valor de R$ 2,5 mil para reformar minha casa. Estou muito feliz. As parcelas são de cerca de R$ 150 e consigo pagar com o que recebo das faxinas que faço de segunda a sexta. Aos sábados e domingos, lavo carros, conta.


FOLHA DE S. PAULO

Repúblicas do Câncer

Casas nos arredores do Hospital de Câncer de Barretos abrigam pacientes que viajam milhares de quilômetros, desde Estados do Norte e do Nordeste, em busca de tratamento especializado

Cláudia Collucci

Pacientes viajam até 3.000 km para conseguir tratamento no Hospital de Câncer de Barretos (interior de São Paulo), a maior instituição oncológica do país, que faz 3.000 atendimentos por dia.

Uma verdadeira cidade paralela com cerca de 2.000 doentes de câncer, a maioria das regiões Norte e Nordeste, está se formando nos arredores do hospital, que só atende clientela do SUS.

Em geral, os pacientes chegam com tumores em estágio avançado, o que demanda tratamentos demorados. Isso os obriga a morar na cidade por longos períodos.

Eles vivem em repúblicas, casas alugadas pelas prefeituras de suas cidades de origem ou mantidas pela Fundação Pio XII, que administra o hospital.

No Estado de Rondônia, por exemplo, 97% dos pacientes com câncer vão se tratar em Barretos, segundo dados do hospital.

O município de Ji-Paraná (RO), a 2.200 km de Barretos, mantém uma casa alugada perto do hospital. Ali, 38 doentes dividem uma casa com cinco quartos - cada um tem dois ou três beliches.

Todas as tarefas de casa, como cozinhar, lavar louça e fazer faxina, são divididas. "A regra é clara: quem está melhor ajuda mais", conta Maria Aparecida Santos, que acompanha a irmã Teresa, com um tumor de mama.

Eles recebem cestas básicas doadas por comerciantes de Ji-Paraná e, semanalmente, cada morador colabora com R$ 15 para a compra de carne e verdura.

"É uma família. Um vai apoiando o outro porque está todo mundo na mesma situação", diz Isabel Coelho, que operou há três semanas de um câncer de tireoide.

Ela mora na república há quase um ano. Até setembro do ano passado, era só acompanhante da filha, que tem melanoma (câncer de pele agressivo). No início deste ano, descobriu o nódulo na tireoide e passou a ser também paciente do hospital.

No ano passado, o governo de Rondônia fez uma parceria com o hospital de Barretos para que a instituição assuma a gestão de uma unidade oncológica em Porto Velho. A ideia é frear a migração de pacientes.

"Por que tem que vir paciente de 3.000 km para cá [Barretos]? A gente puxa uma linha reta da região Norte até aqui e vê que, no meio do caminho, só existe um hospital pequeno que não dá conta nem dos pacientes do município dele", afirma Henrique Prata, presidente do hospital de Barretos.

Segundo Prata, 40% da demanda do hospital é de pacientes de outros Estados.

ESTRESSE

A distância da terra natal e da família estressa os pacientes. A Folha ouviu 15 deles e todos se queixaram da saudade de casa.

"A gente sabe que está num dos melhores centros do país, mas é muito triste ficar longe da família. Choro todos os dias. Isso acaba não ajudando no tratamento", afirma Maria da Conceição Carneiro, de Ji-Paraná, que faz tratamento contra um tumor no intestino e está em Barretos há três meses.

Outro que se queixa de saudade é o caminhoneiro Francidário de Souza, de Guanambi (BA), a 1.213 km de Barretos. Ele acompanha o filho Gustavo, 12, que tem linfoma, mas descobriu no mês passado que também será paciente do hospital: recebeu diagnóstico de tumor no cérebro.

A mulher e a filha mais velha estão na Bahia. "Nessas horas, tudo o que a gente quer é estar perto da família."


FOLHA DE S. PAULO

Instituição é referência e tem fila por vaga

Premiado pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Estado da Saúde como uma das melhores instituições de alta complexidade, o Hospital de Câncer de Barretos se destaca entre as unidades que só atendem ao SUS.

Tem hotelaria e tratamento comparados aos dos melhores hospitais de São Paulo. Há três semanas, abriu uma unidade infantil com apoio de duas referências em câncer, o MD Anderson e o Saint Jude Children's Hospital.

No ano passado, passou a sediar, na América Latina, uma filial do Ircad, instituto francês referência mundial em pesquisa e treinamento em cirurgias laparoscópicas e robóticas.

O hospital atende 12 mil novos casos de câncer por ano e, com a unidade infantil, pretende triplicar o atendimento de crianças e adolescentes (hoje em 200 casos novos por ano).

O custeio da instituição é de R$ 16 milhões por mês. Pouco mais da metade desse valor vem do governo federal. Outros R$ 2,5 milhões vêm do governo estadual.

Ações como doações de artistas e leilões de gado rendem mais R$ 3 milhões mensais.

"Ainda assim, fica faltando R$ 1 milhão todos os meses", diz Henrique Prata, presidente do hospital.

O tempo médio de espera por uma vaga é de 60 dias. "Todos os dias os médicos perguntam quem devem priorizar. É uma angustia, tudo tem fila."


CORREIO BRAZILIENSE

Vacina para diminuir casos de câncer

Especialistas defendem que a oferta gratuita de imunização contra o HPV reduziria consideravelmente a ocorrência de tumores no útero. O Ministério da Saúde estuda a adoção da medida

Márcia Maria Cruz

A inclusão da vacina de vírus do papiloma humano (HPV) no Programa Nacional de Imunizações (PNI) pode representar a redução nos casos de câncer de colo de útero, a segunda maior causa de mortalidade entre as mulheres brasileiras. A boa notícia é que a introdução da vacina está em estudo pelo Ministério da Saúde. "A inclusão pode parecer um custo, mas representa um investimento em saúde. Pode parecer um dispêndio no momento, mas o governo vai economizar muito com os custos do tratamento do câncer no futuro", defende Charles Pádua, diretor do Cetus Hospital-Dia, instituição especializada em medicina oncológica de Betim, na Grande Belo Horizonte. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que, em 2012, no Brasil, devem ser registrados 17.540 novos casos desse tipo de tumor - o equivalente a 17 casos para cada 100 mil mulheres.

Na rede privada, há 14 anos, a vacina vem sendo aplicada em mulheres de 9 a 26 anos, e desde o ano passado o uso foi liberado também para homens na mesma faixa etária. A vacina quadrivalente, que combate os tipos do HPV identificados como 6, 11, 16 e 18, pode ser encontrada em clínicas particulares a preços que variam de R$ 300 a R$ 350 para cada uma das três doses. Embora o HPV, que se refere a uma família de vírus com mais de 200 tipos diferentes, seja associado às mulheres, ele pode causar nos homens o câncer de pênis, ânus e as verrugas ânus-genitais, conhecidas como crista de galo.

O alto custo da vacina compromete uma ampliação da cobertura da imunização. "Apenas 1% da população deve ter se vacinado, o que, em termos de saúde pública, não representa nada. Para reduzirmos a quantidade de vírus circulando, teríamos que proteger de 80% a 90% da população", afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Renato Kfouri. Quando há vacinação em massa, mesmo que não seja a totalidade da população, é possível reduzir a circulação do vírus e até mesmo erradicá-lo. "Mesmo as pessoas que não recebem a vacina são protegidas indiretamente, porque se trata de imunidade de "rebanho"", pontua. Na Austrália, onde a vacinação contra o HPV é uma política pública, houve redução expressiva no número de casos de câncer de colo de útero.

Verrugas

Existem no mercado duas vacinas contra o HPV: a bivalente e a quadrivalente. A primeira protege dos tipos 16 e 18, causadores de 70% dos cânceres de colo de útero, e está indicada para mulheres. Já a quadrivalente combate também os tipos 6 e 11, responsáveis por 90% das verrugas genitais. Ambas oferecem proteção adicional contra outras variedades causadoras de cerca de 10% dos cânceres do colo de útero. As vacinas dão ao organismo capacidade de gerar produção de anticorpos e proteção que chega a 99%. No entanto, não podem ser usadas como tratamento para quem já se infectou com o vírus.

A importância da inclusão da vacina no PNI aumenta consideravelmente tendo em vista que ela é a forma mais eficaz de prevenção da doença, sexualmente transmissível. O vírus é passado de pele para pele, não sendo necessária a penetração para que haja o contágio. Isso faz com que o preservativo não seja a forma mais eficaz de evitar a doença. De acordo com Charles Pádua, entre 50% e 80% de homens e mulheres vão contrair o HPV em alguma época da vida. "A partir do momento em que o indivíduo inicia a vida sexual, está exposto", diz.

O oncologista acrescenta que há vários trabalhos científicos que comprovam redução na incidência de casos de cânceres de útero, vulva e pênis nos países onde houve a introdução da vacina. Alguns municípios brasileiros estudam a possibilidade de adoção da dose, no entanto, segundo Pádua, para que haja eficiência é preciso a implantação de um plano nacional. De acordo com o Ministério da Saúde, a inclusão de vacinas leva em consideração vários critérios, como o epidemiológico (prevalência e incidência da doença devem ser relevantes); o imunológico (a imunogenicidade proporcionada pela vacina deve ser de alta eficácia) e o custo. O ministério informou ainda que vem realizando debates técnicos sobre a introdução dessas vacinas no programa nacional.

Hepatite B

A vacina contra a hepatite B pode contribuir também para a redução da incidência do carcinoma hepatocelular, o tumor maligno primário mais comum no fígado. "A vacina contra a hepatite B, doença transmissível sexualmente e pelo sangue contaminado, tem grande impacto na redução da incidência desse tipo de câncer", destaca a presidente da Sbim-RJ, Isabella Ballalai. A vacina está disponível gratuitamente nos postos de saúde para homens e mulheres de até 29 anos.

Pessoas acima dessa idade e não vacinadas ou que não sabem se já receberam a vacina podem ser imunizadas em clínicas privadas. São necessárias três doses para o desenvolvimento de proteção eficiente contra o vírus. Cerca de 90% dos recém-nascidos com vírus da hepatite B desenvolvem a forma crônica da doença. Por essa razão, é importante que os casais estejam vacinados contra a doença antes que ocorra a gestação. No bebê, a vacina deve ser aplicada preferencialmente nas primeiras 12 horas depois do nascimento.

Os HPVs (vírus do papiloma humano) são da família Papilomaviridae, capazes de provocar lesões na pele ou na mucosa. Na maior parte dos casos, as lesões têm crescimento limitado e costumam regridir espontaneamente. Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV. Eles são classificados como de baixo risco e de alto risco de câncer. Somente os de alto risco estão relacionados a tumores malignos.

Incidência

A infecção por HPV atinge cerca de 630 milhões de pessoas no mundo. Estima-se que os tipos 16 e 18 do vírus causem de 40% a 50% dos cânceres de vulva e 70% dos cânceres vaginais, bem como 85% dos casos de câncer anal.

Sintomas

O HPV pode permanecer no organismo sem qualquer sintoma por meses e até anos. Os tumores malignos, por exemplo, podem demorar de 10 a 20 anos para se desenvolverem.

Contágio A probabilidade de contágio também é alta, varia de 50% a 80%, e o vírus pode ser transmitido mesmo que esteja latente (sem manifestação visível).

Vacina

A vacina quadrivalente contra o HPV é administrada em três doses, com aplicação intramuscular. A primeira pode ser aplicada em data escolhida, a segunda é administrada dois meses depois da primeira e a terceira, seis meses após a primeira.


YAHOO NOTÍCIAS

De cada R$ 1 gasto em prevenção, plano de saúde economiza R$ 2

Melhor prevenir do que remediar. O ditado antigo é um conceito ainda bastante recente quando o assunto é saúde suplementar, mas que vem alcançando uma velocidade impressionante de implementação. Em seis meses, o número de usuários de planos de saúde que participam de programas de prevenção quintuplicou: de 200 mil para quase um milhão de participantes, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

A possibilidade de se oferecer bônus e prêmios aos usuários que aderissem a programas de prevenção, criada pela ANS no ano passado, parecem ter sortido efeito. Mas o fato é que há operadoras que avançaram rapidamente em seus projetos e foram além de um monitoramento de consultas, pressão ou de conferência de medicamentos, e passaram a oferecer aulas de culinária e de dança, por entender que saúde é um conceito mais abrangente do que se encerra em um consultório médico. Sem falar que prevenção é um ótimo negócio: estudo feito por uma operadora paulista mostra que de cada R$ 1 investido em prevenção, retornam R$ 2 para o bolso da operadora.

Segundo Neusa Pellizzer, gerente do Departamento de Promoção de Saúde da Associação Beneficente dos Empregados em Telecomunicações (Abet), operadora que atende o segmento de telefonia, com uma carteira de 60 mil vidas, calcula que a empresa tem uma economia que varia de R$ 1,5 a R$ 4,5 para cada real investido desde 2004.

- Em um primeiro momento, há até aumento da procura por consultas etc., mas a tendência é de redução de custos de procedimentos de alta complexidade, como internações e pronto socorro, que costumam corresponder a mais de 50% da operadora. Além da racionalização dos custos, há uma melhoria da qualidade de vida para quem participa do programa - afirma Neusa, acrescentando que o programa de monitoramento de doenças crônicas, ou seja, para pessoas que são cardíacas, têm hipertensão, colesterol alto, triglicerídios, doenças pulmonares e algumas doenças neurológicas, tem duração de 24 meses renováveis.

Martha Oliveira, gerente-geral de Regulação Assistencial da ANS, diz que não só o número de usuários cresceu, mas a qualidade dos programas também melhorou:

- Eles estão mais multidisciplinares. Em um dos programas que acompanhamos, a operadora faz visitas à casa de idosos para identificar riscos no ambiente e com isso conseguiu reduzir em 50% o número de fraturas de fêmur. Conforme já havíamos previsto, o prêmio foi muito grande. Acreditamos que, em breve, a adesão ao bônus crescerá. Há empresas oferecendo 10% de desconto a quem participar.

O aumento da adesão dos usuários dos planos de saúde aos programas de prevenção começa a formar uma massa crítica que faz a ANS pensar num passo adiante: a avaliação dos programas de prevenção.

- Estamos estudando uma metodologia que nos permita mensurar melhor os ganhos aos consumidores dos diferentes programas. A ferramenta, no entanto, já existe. No site da ANS (www.ans.gov.br), é possível verificar os programas aprovados pela agência. Todos foram avaliados e receberam um certificado. Esta certificação está sendo exigida, até mesmo em algumas licitações. A ideia é que ela seja usada como critério de escolha de plano pela sociedade - destaca Martha.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) considera positivos os incentivos previstos pela ANS para as operadoras incentivarem usuários a participar em programas de promoção de saúde. Mas avalia que a agência deveria especificar parâmetros mínimos para esses programas. O instituto defende ainda que se pense em benefícios àqueles usuários que não participam diretamente desses programas, mas que fazem a sua parte, por exemplo, se exercitando em academias.


PORTAL DA SAÚDE

Miguel Couto passa por processo de informatização

Ministério da Saúde libera software de gestão hospitalar para que prontuários de pacientes sejam disponibilizados em rede para acesso de médicos e enfermeiros

Prontuários dos pacientes, prescrições de remédios, exames, relatórios, além de outros documentos médicos estarão todos informatizados ainda este ano na emergência do Hospital Municipal Miguel Couto, no Rio de Janeiro. O Ministério da Saúde vai disponibilizar para todas as unidades atendidas pela ação S.O.S Emergências o uso do sistema ESUS de gestão hospitalar. Já utilizado nos hospitais da Lagoa e de Ipanema – e futuramente Cardoso Fontes, Andaraí, Bonsucesso e Servidores – da rede federal, o software possibilitará a automação dos processos envolvidos nos cuidados com pacientes e nos aspectos administrativos, como controle de almoxarifado.

O ESUS permitirá aos médicos, por exemplo, acompanhar o paciente na emergência, com identificação imediata e individualizada, com informações sobre consultas e diagnósticos anteriores, medicamentos usados e exames realizados, auxiliando assim o controle e acompanhamento da saúde do usuário e dando maior agilidade e qualidade no atendimento. O sistema de gestão integrada também facilitará a marcação de exames, prescrição de remédios e agendamento de novas consultas. E o módulo de emergência fará o gerenciamento do ingresso do paciente pelo pronto-socorro, incluindo a classificação de risco e o monitoramento do tempo de espera pelo atendimento.

Já as ferramentas administrativas permitirão controle da dispensação e dos estoques de medicamentos e demais insumos, controle de despesas e relatórios operacionais, auxiliando nas tomadas de decisões gerenciais e evitando desperdícios. O ESUS facilitará ainda o acompanhamento de estatísticas e indicadores, como taxa de ocupação e giro de leito.

Além da liberação do uso e do apoio à implantação do sistema – prevista para ser iniciada este mês – o Hospital Miguel Couto já teve aprovado pelo Ministério da Saúde projeto de R$ 200 mil para a aquisição de equipamentos de informática. Ao todo serão 64 computadores, além de impressoras, nobreaks e outros aparelhos a serem instalados nas salas da emergência e nos setores de internação. Fichas, prontuários, prescrições e relatórios passarão assim a ser disponibilizados na rede interna para o acesso de médicos e enfermeiros responsáveis pelos pacientes de cada setor hospitalar, agilizando os processos e garantindo maior segurança das informações.

REDE

O S.O.S. Emergências é uma ação estratégica do Ministério da Saúde, lançada em 2011 para qualificar e melhorar o atendimento das principais emergências que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ela integra a Rede Saúde Toda Hora e, além do Miguel Couto, foi implantada no Hospital Estadual Albert Schweitzer, também no Rio de Janeiro, e em mais nove unidades de grande porte localizados em oito capitais.


Domingo, 08.04.2012

REVISTA VEJA

Cirurgia épica ao som de rock

VEJA acompanhou as dezesseis horas do primeiro transplante multivisceral de cinco órgãos realizado no Brasil, uma operação só tornada possível pelos avanços da medicina invasiva

Adriana Dias Lopes

Era terça-feira, 3 de abril, noite da última apresentação em São Paulo do baixista e compositor Roger Waters, ex-líder da banda de rock Pink Floyd. No fim do espetáculo, cerca de 70000 pessoas lotavam as ruas estreitas em volta do Estádio do Morumbi. O trânsito não andava. O som das buzinas parecia abafar o que se ouvira antes. Naquele momento, a apenas 800 metros dali, no Hospital Albert Einstein, um grupo formado por três cirurgiões, quatro assistentes, uma enfermeira e dois instrumentadores se preparava para ir a um hospital distante, na Zona Sul da cidade, em um dos bairros mais pobres da capital. As 23h46, chegaram dois dos três táxis pedidos pelo telefone. Todos se apertaram nos carros e partiram. Vinte minutos depois, e nada, eles continuavam nas cercanias do Morumbi. "Esse show deve ter sido incrível", disse o cirurgião Ben-Hur Ferraz Neto, chefe da equipe de transplantes do Hospital Albert Einstein, ao observar a iluminação do estádio vista de longe. A calma dos especialistas impressionava ante o desafio que estavam prestes a enfrentar. O grupo ia a um hospital público da periferia da cidade para fazer a captação dos órgãos do primeiro transplante multivisceral do Brasil. Considerado a cirurgia mais complexa da medicina, o procedimento consiste na substituição de vários órgãos ao mesmo tempo - naquele caso específico, estômago, duodeno, pâncreas, fígado e intestino delgado. É uma operação de proporções épicas, à qual VEJA teve acesso com exclusividade. Foram treze horas de operação. Vítima de cirrose, a receptora é uma mulher de 59 anos, 1.58 metro e 60 quilos 10 deles referentes ao líquido acumulado na região abdominal. Conforme a doença avança,o fígado é tomado de fibroses, cicatrizes que dificultam a passagem de sangue pelo órgão. Com isso, os vasos a seu redor ficam sobrecarregados e não conseguem dar vazão ao sangue. O problema culmina com a obstrução dessas veias. O risco de hemorragia faz com que a mortalidade durante a complexa cirurgia chegue a 20%. Em um transplante hepático, também considerado de alto risco, o índice não passa de 0.03%.

Desde 1989, somente 250 transplantes multiviscerais foram feitos no mundo. A equipe do Hospital Albert Einstein (Ben-Hur Ferraz Neto, o cirurgião Seraio Meira e o anestesista Raffael Zamper) foi treinada em um dos melhores deles, a Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. O transplante multivisceral foi descrito pela primeira vez em 1960, ao ser realizado em cães pelo medico Thomas Starzl, da Universidade de Pittsburgh, também americana. Lançada no fim da década de 70, a ciclosporina, medicamento usado contra a rejeição em transplantados, motivou as primeiras experiências em humanos. Em 1983, Starzl submeteu uma menina de 6 anos à técnica. Mas a paciente morreu imediatamente depois da operação em decorrência de intensa hemorragia. No ano seguinte, foi descoberto o tacrolimus, um imunossupressor mais eficaz nos transplantes que envolvem os intestinos, órgãos naturalmente propensos a rejeição. Cerca de 90% dos transplantes multiviscerais são motivados por afecções intestinais.

Nos centros americanos de referência, a sobrevida dos pacientes submetidos ao transplante multivisceral é de 80% no primeiro ano. Na década de 90, ela não passava de 50%, no mesmo e período. Como o volume do enxerto de órgãos em monobloco é muito grande. o peso do doador não pode ser maior que o do receptor nem 50% inferior. A título de comparação, nos transplantes de fígado o doador pode ser até 40% mais pesado ou 60% mais magro. Somente nos anos 2000, o transplante multivisceral deixou de ser experimental e tornou-se uma opção clínica de tratamento. No Brasil, 400 pessoas devem se beneficiar da técnica.

À meia-noite e 28 minutos, a equipe do Albert Einstein chegou ao hospital público onde estava o corpo do doador, uma mulher de 1,50 metro e 58 quilos. Aos 39 anos. ela morrera em decorrência de um derrame. Ao desembarcarem dos táxis, os especialistas carregavam duas caixas térmicas vermelhas, de 60 centímetros de largura por 40 centímetros de altura, repletas de gelo picado. À lhl5, começou a cirurgia. Os médicos lavaram o corpo da doadora com uma solução à base de iodo. À lh25 da manhã, Ferraz Neto fez o primeiro corte no abdômen da doadora. Dois minutos depois, um cheiro nauseante invadiu a sala. O odor, resultado do sangue misturado à gordura queimada pelo bisturi, permaneceu até o fim do procedimento, às 2h49.

Os órgãos foram retirados todos juntos. No jargão médico. O procedimento é conhecido como "enxerto de órgãos em "monobloco". O conjunto de 4 quilos foi acondicionado em um saco plástico. Em seguida. levado a uma bacia funda de metal com gelo. O objetivo era manter os órgãos a uma temperatura média de até 4 graus - baixa o suficiente para garantir a integridade dos órgãos, mas não tão baixa que pudesse queimá-los. Às 3h30, a equipe começava uma corrida contra o tempo, agora nos táxis de volta ao hospital onde havia começado a épica aventura. O tempo máximo para manter os órgãos fora do organismo humano, sem que eles se deteriorem, é de doze horas. De madrugada, com o trânsito livre, dez minutos depois, todos estavam de volta ao Albert Einstein para a mais vibrante e extraordinária cirurgia já feita no país desde 1985, ano de realização do primeiro implante de fígado no Brasil. "Que Deus abençoe a todos", disse. emocionado, Ferraz Neto, exatos dois segundos antes de deflagrar o procedimento, às 5h32 da manhã, na sala 12 do centro cirúrgico, no 5° andar do hospital israelita.

Além dos catorze profissionais diretamente envolvidos, entre cirurgiões, anestesista, instrumentadores. enfermeiros, assistentes e um técnico de informática, para o caso de alguma máquina entrar em pane, estavam ali outros quatro especialistas e dois estudantes de medicina. Paralelamente à cirurgia para a preparação da receptora, à direita da maca, dois outros médicos, sob o comando do cirurgião Sergio Meira, começavam o processo de limpeza do monobloco de órgãos. Durante quatro horas, ele preparou o enxerto, extraindo 600 gramas de gordura e músculo que haviam restado do corpo da doadora. O silêncio sepulcral que se instalou nos primeiros seis minutos de toda a operação foi quebrado pelo alto volume da música She Loves You, dos Beatles, vindo das caixinhas de som plugadas no iPod do anestesista Raffael Zamper.

No momento em que o corpo da receptora começou a ser operado, o cheiro ruim de sangue com gordura queimada invadiu a sala. Foram feitos dois cortes no abdômen da paciente. Um no sentido vertical, de 30 centímetros de comprimento, e o outro. na horizontal, de 25 centímetros, a partir do umbigo para a direita. O corpo estava ligado a quatro grandes máquinas além do respirador artificial. Uma delas mantinha os lençóis sobre o peito e as pernas a uma temperatura média de 37 graus. A segunda monitorava as funções vitais, exibindo-as em dois monitores. A terceira comprimia intermitentemente as pernas da paciente para ativar a circulação do organismo e evitar trombose. O último equipamento era um transfusor de sangue automático, apto a reduzir drasticamente a necessidade de transfusão em cirurgias de grande porte.

Passavam quinze minutos das 6 horas da manhã quando a luz de um sol forte atravessou as duas janelas da sala. Imperava um silêncio respeitoso no centro cirúrgico. Ferraz Neto sussurrava. Bastava um olhar ou um aceno de mão do cirurgião para que os assistentes entendessem qual instrumento deveria ser entregue ou que vaso sanguíneo seria suturado. O barulho vinha apenas do tocador de MP3 do anestesista, que depois dos Beatles seguira para Dire Straits, Rush, Queen e AC/DC. Por volta das 7 da manhã, teve início a extração dos órgãos da receptora. Primeiro foi o intestino delgado. Em seguida o fígado, o duodeno e o pâncreas, às 8h58. O mau cheiro ficou ainda mais forte. agora proveniente do órgão deteriorado da paciente. Às 9h27. o último órgão foi extirpado, o estômago. Nos transplantes multiviscerais, o processo de extração dos órgãos é uma das etapas mais delicadas e tensas. Em geral, os órgãos estão tão fragilizados e já comprometeram tanto as estruturas ao seu redor que o cirurgião tem dificuldade para diferenciar, por exemplo, veias de artérias. Vasos que deveriam ter 1 milímetro de espessura estão dez, quinze vezes mais espessos, aumentando muito o risco de hemorragia. Ferraz Neto pediu uma cadeira para operar sentado. Passado um minuto, ele já estava de pé novamente. "Agora, vamos pôr a música mais alto", pediu. Vivia-se um instante decisivo. Na maca havia um corpo com a cavidade abdominal escancarada e praticamente vazia, apenas com rins e bexiga funcionando normalmente. Em tais condições, a paciente só sobreviveria por três horas. E então Elvis Presley começou a cantar Rock Aroimd the Clock.

Deu-se início, então. ao processo de implantação do monobloco (veja o quadro na pág. 87). O evento mais extraordinário do transplante multivisceral aconteceu às 11h40, quando os cinco órgãos foram infundidos no sangue da receptora. Reviveram, portanto, no novo organismo. Apenas cinco segundos depois da sutura da aorta, o monobloco teve sua aparência transformada. De cor pálida e aspecto murcho, ele enrubesceu e ganhou forma robusta. "Se pudesse escolher um único momento como o mais decisivo de um transplante, diria que é este". define Ferraz Neto. "Lindo!", exclamou. "Não poderia ter música mais perfeita para este momento. Tocava Guns N'Roses, Sweet Child O'Mine. Em português, Minha Doce Criança, uma das prediletas do cirurgião.

Às 12h58, a equipe interrompeu os trabalhos para descansar. Pela primeira vez em treze horas, seus integrantes pararam para comer. Na sala dos médicos, devoraram sanduíches de queijo, presunto e salada de alface e tomate. Beberam água. refrigerante e café. Durante o repouso de quase uma hora, muito pouco se falou do que havia acontecido até ali. Em torno de 2 horas da tarde, estavam de volta à sala cirúrgica para finalizar o implante do enxerto. O último ponto foi dado às 15h15, na sutura do intestino delgado da doadora com o intestino grosso da receptora, na porção inferior do monobloco. Os órgãos foram então cobertos por compressas e a pele, enfim, costurada. As compressas absorvem o sangue em casos de pequenos sangramentos. O material deveria ser retirado na sexta 6, em uma pequena intervenção. Por seis meses, a paciente deve viver com uma ileostomia (quando um pedacinho do intestino delgado fica para fora do organismo). E um recurso usado para que os médicos possam examinar diariamente o estado do implante, em busca de infecções ou rejeição. Até o fim de maio, ela permanecerá com uma sonda no estômago para poupar o trabalho do órgão durante a alimentação.

Às 15h50, o primeiro transplante multivisceral do Brasil chegou ao fim. Foram utilizadas 790 compressas, doze tesouras e 120 pinças, e aplicados 3000 pontos. Ferraz Neto cumprimentou cada um dos especialistas presentes na sala com um aperto de mão seguido de um cansado "parabéns, obrigado". Os médicos saíram da sala, lavaram as mãos, tiraram os aventais, a máscara e a touca. Exaustos, Ferraz Neto e Sergio Meira sentaram-se no chão do corredor. Logo, colegas dos mais variados setores do hospital apareceram para parabenizá-los com abraços e tapas nas costas. Sorriam. Até o fim de quinta-feira passada, a condição clínica da paciente era considerada satisfatória.


AGORA SÃO PAULO

Médicos de São Paulo lançam atestado digital que deve dificultar as fraudes

A APM (Associação Paulista de Medicina) lançou uma versão digital dos atestados médicos para reduzir as fraudes.

A empresa poderá pesquisar na Internet se o atestado é válido. As grandes operadoras (Amil, Greenline, SulAmérica) ainda não aderiram ao novo sistema.


ESTADÃO.COM.BR    

Contrariando Justiça, profissionais de saúde continuam fazendo acupuntura

Fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros e farmacêuticos não interromperam atendimento

Clarissa Thomé

Dias após o Tribunal Regional Federal da 1.ª Regional ter tornado nulas resoluções de conselhos de farmácia, psicologia, enfermagem e fisioterapia que regulamentavam a prática da acupuntura por seus associados, os profissionais dessas especialidades continuam atendendo os seus pacientes.

“A decisão em momento algum fala que a acupuntura é ato exclusivo do médico. Ela suspende o efeito de resolução dos conselhos, e essas entidades vão recorrer. A forma como o Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura divulgou a decisão está gerando dúvida e insegurança”, disse o biomédico Fernando Lyra Reis, presidente do Sindicato de Acupuntura do Rio de Janeiro.

No entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM), porém, a decisão restringe a atividade à carreira médica. Os demais conselhos discordam da interpretação e vão recorrer.

O primeiro efeito, segundo Reis, foi a enxurrada de telefonemas de pacientes, querendo saber se os consultórios haviam sido fechados; o segundo foi o cancelamento de matrículas em cursos de especialização em acupuntura. “Tínhamos uma turma que começaria no sábado com 18 alunos e 2 desistiram, porque não queriam investir dois anos de estudos sem saber se poderão atuar mais tarde”, afirmou.

A acupuntura começou a ser praticada no Brasil nos anos 60. O Conselho Federal de Fisioterapia foi o primeiro a reconhecer a prática, em 1985. Dez anos depois, outros cinco conselhos fizeram o mesmo, entre eles o de Medicina. Hoje, há 60 mil acupunturistas não médicos, segundo a Associação de Medicina Chinesa e Acupuntura Tradicional do Brasil (AMCT)e 9 mil médicos associados ao Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA).

Não há legislação que regulamente a prática no Brasil. Os defensores da tese de que outros profissionais podem exercer a acupuntura lembram que tanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) quando o Ministério da Saúde reconhecem o caráter multiprofissional da atividade.

“É inadmissível que em pleno século XXI ocorra uma tentativa de mudar práticas consagradas, reconhecidas por instituições de renome. A prática por outros profissionais de saúde é que proporcionou o aumento do acesso da acupuntura ao paciente”, diz Walter Jorge João, presidente do Conselho Federal de Farmácia.

Segundo o ministério, as consultas de acupuntura no Sistema Único de Saúde (SUS) passaram de 181.983, em 2003, para 621 mil, no ano passado.

Disputa

Desde 2000, o CFM questiona judicialmente as resoluções de quatro conselhos que regulamentavam a prática da acupuntura por seus associados.

“Visando alargar seu campo de trabalho, esses conselhos se autorregulamentaram e autorizaram seus profissionais a praticar atos que a legislação não permite. Um farmacêutico não atende paciente nem examina nem pede exame complementar, muito menos pratica uma intervenção invasiva, que é a aplicação de agulhas”, afirmou Fernando Genschow, integrante do CMBA.

Umas das preocupações de Genschow é com erros de diagnóstico. “Uma dor na coluna pode ser metástase de câncer”, diz.

Sohaku Bastos, que integra a diretoria da AMCT, lembra que a medicina tradicional chinesa trata o indivíduo como um todo. “Não há diagnóstico de doença. O ato acupuntural é terapia de promoção da saúde e prevenção, não é medicina alopática. O ato médico, sim, é de cura da doença e remediação de problemas.”

O vice-presidente do CFM, Carlos Vital, rebateu: “Não estamos na China. Praticamos medicina baseada em evidências, dentro da racionalidade científica. Diagnóstico é ato médico”.

Alheios à polêmica, pacientes continuaram indo aos consultórios. No Academia Brasileira de Arte e Ciência Oriental, em Copacabana, onde os acupunturistas têm formação em Psicologia e Fisioterapia, o movimento foi normal. “É perseguição. O atendimento aqui é ótimo. A primeira consulta levou uma hora. O médico quando fala com você já está olhando para o relógio”, diz a professora Marluce Azevedo, de 62.


CORREIO BRAZILIENSE

Música ajuda transplantes

Estudo mostra que apreciar obras clássicas evita a rejeição do organismo a tecidos e órgãos geneticamente diferentes. Os sons ativam a produção de células com resposta anti-inflamatória, melhorando a ação do sistema imunológico

Ouvir peças e óperas clássicas é um hábito que proporciona momentos de relaxamento aos fãs da arte erudita. O que muitos amantes da música não imaginam é que o efeito dessas composições ultrapassa o puro prazer. Além de combater problemas como ansiedade e desconforto físico, como já demonstrado em alguns estudos (leia Para saber mais), obras como La Traviata e peças de Mozart podem ajudar a diminuir a rejeição a órgãos transplantados. Por mais estranha que a ideia pareça, essa foi a conclusão de uma pesquisa realizada em ratos de laboratório e publicada na mais recente edição do Journal of Cardiothoracic Surgery. Outro efeito do som harmonioso, de acordo com a mesma investigação, realizada no Japão, seria o fortalecimento do sistema imunológico.

Masateru Uchiyama, pesquisador da Universidade de Jutendo e chefe do estudo, considera que a música tem papel importante na cultura humana. Por isso, muitos cientistas estudam seus efeitos psicológicos e deparam-se com resultados surpreendentes. "A música pode melhorar o desempenho de pessoas que estão fazendo testes de raciocínio lógico, reduzir o estresse, trazer sentimentos de conforto e relaxamento, promover a distração de uma dor e melhorar os resultados da terapia clínica", destaca o cientista, no artigo.

Para chegar à conclusão de que os sons clássicos podem ajudar a evitar a rejeição de órgãos, Uchiyama submeteu camundongos a um transplante de coração, além de inserir em seus organismos fluidos e tecidos de animais geneticamente diferentes. As cobaias, que tinham de 8 a 12 semanas, foram, então, distribuídas aleatoriamente em cinco grupos. Desses, um não recebeu nenhum tipo de estímulo sonoro, enquanto os quatro restantes foram expostos, nos seis dias após o transplante, a diferentes tipos de som: peças de Mozart, a ópera La Traviata, o estilo new age na voz da cantora Enya e sons de uma única frequência.

Após receber o coração, o sistema imunológico dos camundongos acionou a propriedade aloimune, que ocorre quando o corpo tenta combater células invasoras, vistas, pelo organismo, como uma ameaça. Depois do período estipulado, as cobaias que ouviram música clássica ou ópera apresentaram maiores índices de sobrevida (aproximadamente 26 dias), comparando-se aos animais que foram expostos ao new age. Nesse caso, eles viveram, em média, 11 dias após a cirurgia.

Os pesquisadores observaram que um dos principais motivos para que isso acontecesse foi o aumento das quantidades de linfócitos CD4 e CD25 - células de defesa do organismo que regulam a resposta imunológica e têm propriedades anti-inflamatórias. "O grande volume de células no corpo dos camundongos está ligado à melhor ação do sistema imunológico. Os animais que foram tratados com ópera tiveram, aproximadamente, o dobro desses tipos de células", destaca Uchiyama.

De acordo com o imunologista Paulo Soares, apesar de os pesquisadores não terem analisado como a música agiu no organismo dos camundongos, eles ofereceram um dado consistente: "O sistema imunológico é complexo e interage com o ambiente. Devido a isso, é plausível que ele esteja ligado a outras variáveis, além da música, que podem acalmar ou relaxar". Soares avalia que, no corpo dos animais, o coração transplantado era uma espécie de invasor: "O artigo especula que a música agiu no sistema dopaminérgico, ligado a vários centros de prazer e bem-estar do corpo. Provavelmente, o mecanismo pelo qual o som diminuiu o ataque ao coração está relacionado a esse sistema".

Para Soares, a grande questão que gira em torno do transplante é modular as células defensoras para que elas entendam que o tecido estranho não é agressor. "Sempre que uma pessoa recebe um transplante, o sistema imunológico é acionado. O estudo comprovou que a música clássica pode diminuir a atividade do organismo, atuando como uma espécie de anti-inflamatório, prolongando a sobrevida dos animais."

Musicoterapia

João Negreiro Tebyriçá, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), acredita que o artigo abre a possibilidade para a musicoterapia ser um elemento auxiliar na receptividade ao transplante. "O mais interessante do estudo é que eles conseguiram medir a intervenção. Houve uma influência nas células que são ligadas ao processo de aceitação do órgão, que são chamadas de reguladoras; elas são importantes na prevenção de processos alérgicos e doenças autoimunes", afirma.

Emoções

Nelso Barreto, musicoterapeuta, explica que a música afeta diretamente o cérebro, tanto para o lado positivo, como para o negativo, influenciando as funções cognitivas. "A música age no sistema límbico, responsável pelas emoções, mas envolve quase todas as regiões. Pode-se exemplificar isso da seguinte forma: ao escutar um som qualquer, ativam-se as estruturas subcorticais; se for um som ou uma música conhecida, ativa-se a memória. Ao se cantar uma canção, o cerebelo que é ativado."

Autora do livro Música - um caminho para a saúde, a pedagoga Rachele Vanni acompanhou, desde 1988, um trabalho de experiência musical iniciado no Centro Infantil Boldrini, em Campinas (SP), realizado em crianças e adolescentes que tinham leucemia e câncer. No trabalho, ela concluiu que a música era uma terapia auxiliar para os doentes, que melhoraram a saúde e ficavam mais felizes quando lidavam com as dores do tratamento: "A música proporcionava uma vida melhor para as crianças. A doença, que lhes incomodava, já não era mais uma pedra no caminho. O som fazia uma ponte entre a mente e o corpo, e normalizava os batimentos cardíacos dos pacientes, melhorando as respostas aos medicamentos", conclui.


FOLHA DE S. PAULO

Notícias sobre a tuberculose

Há boas novas sobre a tuberculose, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). A taxa de mortalidade da doença, que apavorou a população mundial no século passado, diminuiu em 40% entre 1990 e 2010.

O Brasil e a China, diz a OMS, estão entre os 22 países onde houve uma diminuição sustentada dos casos da doença nos últimos 20 anos.

Atualmente, essa é uma doença tratada e curada com uma combinação de medicamentos de primeira linha (isoniazida e rifampicina).

Mas o tratamento incorreto, com frequência relacionado ao abandono dos remédios pelo paciente antes da cura, vem facilitando o surgimento de bacilos resistentes.

Contra a chamada tuberculose multirresistente, os remédios de primeira linha são ineficazes. Passa a ser necessário usar antibióticos como a estreptomicina e a amicacina, que podem causar lesões nas células do ouvido como efeito colateral.

Por isso, estudo publicado recentemente no "Jornal Brasileiro de Pneumologia" concluiu que pacientes em tratamento da tuberculose devem ser submetidos também a monitoramento auditivo.

Karla A. Vasconcelos e colaboradores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) realizaram testes de audição em doentes medicados em dois hospitais de referência do Rio.

Eles encontraram pacientes com diminuição da percepção de sons. Nesses casos, para evitar perda auditiva, recomendam a substituição dos remédios, já que essa perda poderá ser irreversível.


Sábado, 07.04.2012

VEJA.COM

A acupuntura deve ficar somente nas mãos dos médicos?

Decisão da justiça brasileira torna a prática uma exclusividade da classe médica. Em outros países, como EUA e Inglaterra, a prática é livre, mas a formação sólida dos profissionais é indispensável Jones Rossi

Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, criou uma espécie de "reserva de mercado" na acupuntura nacional. A partir de agora, somente médicos poderão praticá-la. Até esse julgamento, farmacêuticos, terapeutas ocupacionais e até psicólogos e fonoaudiólogos estavam habilitados a espetar suas agulhas por aí.

ACUPUNTURA

A acupuntura faz parte da medicina tradicional chinesa, sistema que busca prevenir e tratar doenças por meio de um conjunto de práticas que inclui fitoterapia, exercícios físicos e alimentação adequada. Acredita-se que ao introduzir as agulhas (muitas vezes com baixas correntes elétricas que as aquecem) em pontos especificos, o fluxo do qi (força vital) é desbloqueado, retomando o equilíbrio entre o yin e yang (forças opostas que se manifestam no corpo pelos extremos, calor e frio, excesso e deficiência). Estudos já provaram que a acupuntura alivia dores e sintomas como náuseas e vômitos. Ela age interrompendo a percepção de dor enviada ao sistema nervoso central e liberando analgésicos naturais na corrente sanguínea .

Há, porém, outro ponto controverso. A acupuntura ainda não teve sua eficácia totalmente comprovada por estudos científicos. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, por exemplo, não são apenas médicos que a praticam. Por que, então, no Brasil deveria ser diferente?

"Um paciente com dor precisa de um diagnóstico preciso. E só tem uma profissão com essa competência e preparo no Brasil: a profissão médica", afirma o médico Ruy Tanigawa, diretor da Associação Paulista de Medicina, diretor do Conselho Regional de Medicina e presidente da Associação Médica Brasileira de Acupuntura.

Tanigawa usa como exemplo as dores lombares, sobre as quais a acupuntura tem se mostrado bastante eficaz. "Uma dor lombar pode significar uma porção de coisas: desde a compressão de um nervo até algo mais grave, como uma tuberculose óssea ou um câncer com metástase", alerta. "Se o paciente procurar alguém que conheça a terapia, mas não seja médico, pode até ser que resolva e melhore o problema da dor. Porém, se for algo mais grave, terá perdido tempo para intervir na doença."

Para o Conselho Federal de Medicina (CFM), a acupuntura, por se tratar de um procedimento invasivo (ultrapassa a pele e o tecido subcutâneo), só pode ser exercida por "profissionais com a devida formação." Ainda segundo o CFM, que reconhece a técnica como especialidade médica desde 1995, existem 1.810 médicos especialistas em acupuntura no Brasil - mas o número pode chegar a 3.000, já que muitos médicos têm mais de uma especialidade.

Em outros países

Na China, onde a acupuntura nasceu há comprovados 2.500 anos (há registros que falam em 4.000 anos), é preciso fazer um curso de 4 anos para se tornar médico acupunturista. É, como pretende o CFM no Brasil, uma atividade exclusivamente médica.

Nos Estados Unidos, médicos, dentistas e pessoas com formação apenas em acupuntura podem exercer a profissão, variando de estado para estado. Alguns são mais rigorosos, outros aceitam cursos de apenas 360 horas de formação (na China, o diploma só é concedido após mais de 5.000 horas). Mesmo assim, segundo os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, a prática é bastante popular no país, com mais 3 milhões de pessoas submetidas à terapia em 2006, 1 milhão de pessoas a mais do que em 2002.

No outro extremo, o governo inglês não regula a atividade. Qualquer um que se considere acupunturista está legalmente apto a cravar agulhas em lombo alheio. Não requer treino, nem habilidade. As autoridades de saúde recomendam, no entanto, que se verifique a segurança e a higiene dos profissionais, e que os pacientes procurem se informar com as principais associações nacionais de acupuntura antes de qualquer consulta.

Em comum, todos os países exigem que o profissional use agulhas específicas para a prática. Nos Estados Unidos, a FDA (Food and Drug Administration, órgão que controla alimentos e medicamentos no país), exige que as agulhas sejam esterilizadas, não-tóxicas, e que sejam usadas uma única vez. Na Inglaterra, uma das principais associações, o Conselho Britânico de Acupuntura, também recomenda agulhas esterilizadas que sejam jogadas fora após o uso. No Brasil, a recomendação é a mesma.

Além disso, é preciso fazer a limpeza do local onde serão aplicadas as agulhas e certificar-se de que os pacientes não tenham nenhum distúrbio de coagulação, como hemofilia, ou que tomem remédios anticoagulantes, sob o risco de provocar graves sangramentos.

Eficácia

Estudos mostram que acupuntura é um tratamento com raros efeitos colaterais, a maioria decorrente da prática incorreta e da falta de capacidade de quem a aplica. Segundo estudos publicados no British Medical Journal em 2001, o risco de uma reação adversa grave era de 1 em 10.000.

A grande questão, no entanto, é se a acupuntura é realmente eficaz. Uma conferência da Organização Mundial da Saúde, em 1979, recomendou o uso da técnica oriental para o tratamento de 43 patologias. Os resultados, contudo, não foram comprovados por meio de rigorosos testes clínicos e foram questionados.

A favor da acupuntura há o fato de que nas últimas três décadas avolumaram-se estudos atestando sua eficiência. Um dos estudos foi realizado no Hospital das Clínicas de São Paulo, pelo fisiatra intervencionista João Amadera. Associada ao tratamento convencional da lombalgia, mostrou acelerar o alívio da dor a curto prazo. Feita com 60 pacientes, 32 receberam o tratamento convencional aliado à acupuntura e 28 receberam apenas o convencional e acupuntura placebo (sem carga elétrica). Quando responderam a um questionário que mede a escala de dor, o grupo que realmente foi tratado com acupuntura relatou uma melhora de três pontos em média na escala, que vai de 0 (menor dor) a 10 (maior dor possível). "A acupuntura já passou pela prova das pesquisas de qualidade, como metodologia científica de qualidade mostrando a sua eficácia", disse Amadera, em entrevista ao site de VEJA. "Não teve efeitos colaterais - é igual ou mais seguro que os atuais tratamentos para a mesma patologia - e se mostrou mais eficiente que o placebo."

Geralmente a acupuntura é recomendada para patologias simples, que não oferecem risco de vida, ou para tratar dos efeitos colaterais, como náuseas, de pacientes que passaram por quimioterapia. Ela funciona ao promover uma ação no local onde as agulhas são aplicadas que impedem que a percepção nervosa de dor chegue ao sistema nervoso central. "Ressonâncias magnéticas já demonstraram que a terapia age no cérebro liberando endorfinas no sangue (endorfinas são como analgésico naturais produzidos pelo próprio corpo) e equilibrando os neurotransmissores", afirma Ruy Tanigawa, da Associação Médica Brasileira de Acupuntura. Outras pesquisas já registraram o poder da técnica na redução de colesterol e triglicérides (duas gorduras que formam placas que podem entupir as artérias), no controle do açúcar no sangue e na melhora do funcionamento do sistema imunológico.

Há, porém, alguns obstáculos para sua completa aceitação. Um deles é a dificuldade de replicar os resultados das pesquisas. "Não adianta repetir a localização dos pontos nos quais as agulhas são colocadas, cada caso precisa de uma configuração diferente", explica Tanigawa. Embora seja complicado reproduzir os resultados, está mais que provado que a acupuntura funciona na redução da dor e no alívio de náuseas e vômitos que aparecem após intervenções cirúrgicas e a quimioterapia. Mesmo que não seja um médico a fazer a aplicação, é recomendável que a formação do acupunturista seja sólida.

"A acupuntura não deveria ser feita só por médicos", diz Nelson Filice de Barros, coordenador do Laboratório de Práticas Alternativas Complementares e Integrativas em Saúde da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (LAPACIS). "Mas há uma razão para o problema estar em pauta. Ninguém pode se propor a fazer isso sem a devida formação e um devido controle sobre os centros formadores."


AGÊNCIA BRASIL

Crise econômica é a maior ameaça à saúde no planeta, alerta presidente do Conselho Nacional de Saúde

A crise econômica internacional e a consequente diminuição de gastos públicos na saúde devem ser a principal preocupação da humanidade hoje (7), data que marca a passagem do Dia Mundial da Saúde. A avaliação é do presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Francisco Batista Júnior, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.

“A maior ameaça [à saúde no mundo] é o momento político. Em função de uma crise estrutural, a saúde está cada vez mais ameaçada pela possibilidade de ser transformada única e exclusivamente em mercadoria e não tratada como direito do ser humano”, opinou Batista Júnior.

A crise econômica diminui a oferta de emprego em outros países e restringe as fontes de financiamento baseadas em descontos nos salários para custeio de seguridade social. O presidente do CNS diz que se preocupa, especialmente, com a situação dos países europeus que, em função de problemas de orçamento do Estado, estão diminuindo o alcance das políticas de bem-estar social.

Para ele, o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS), em tempos de crise internacional, é um trunfo brasileiro. “A reforma sanitária que levou ao SUS foi pensada na lógica da saúde sendo um direito universal das pessoas; como direito inalienável e inquestionável e não um bem a ser vendido do mercado”, defendeu.

De acordo com o especialista, o SUS “é o maior responsável pela melhoria da qualidade de vida do Brasil”. Antes do sistema (previsto na Constituição de 1988), o país padecia com “diversas moléstias” e hoje tem uma “situação sanitária de mais qualidade” e “com acesso a tecnologias de última geração”, ressaltou.

O presidente do CNS reconhece, no entanto, que o SUS não foi implementado integralmente. “Está em desacordo com o que diz a legislação e a Constituição Federal”, disse fazendo referência ao “subfinanciamento” e às “lacunas graves na prevenção”.


FOLHA DE S. PAULO

Papanicolaou em homens detecta tumor anal

Médicos defendem que exame deveria mais difundido, especialmente para os homossexuais e portadores de HIV. Mulheres em grupos de risco também podem fazer o teste; preconceito é barreira à realização do exame

Mariana Versolato

O exame de papanicolaou, feito em mulheres para rastrear câncer do colo do útero, deveria deixar de ser algo exclusivamente feminino e ser realizado também em homens, dizem especialistas.

No Hospital das Clínicas da USP, médicos do ambulatório de proctologia e DSTs vêm fazendo, há cerca de seis anos, o papanicolaou anal em mulheres e homens para detectar lesões causadas por HPV e diagnosticar câncer de ânus precocemente.

O papanicolaou anal é pouco conhecido por aqui, mas é muito difundido em outros países, como os EUA.

"Estamos lutando para a população ficar sabendo, inclusive os médicos. As pessoas têm que exigir o exame e os médicos precisam dar essa resposta à sociedade", afirma Fábio Atui, proctologista do ambulatório do HC que participou do congresso Gut Microbiota for Health World Summit, na França.

Segundo ele, o tabu sobre o assunto é uma barreira para a maior conscientização sobre o exame.

O teste é feito numa população com maior risco de ter a doença, como pessoas com HIV, imunossuprimidos (quem fez um transplante, por exemplo), quem faz sexo anal (homem ou mulher) e pessoas com histórico de lesões genitais por HPV.

RARO

O câncer de ânus, apesar de raro (1,5 caso em 100 mil pessoas), tem se tornado mais frequente. Um dos fatores é a sobrevida maior de pacientes com HIV, que têm maior risco de desenvolver lesões pré-cancerosas. Uma proteína do HIV estimula a expressão do HPV.

"Mudanças sexuais nas últimas décadas tornaram a transmissão de HPV mais intensa", diz Luisa Villa, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Por causa da maior exposição ao vírus, a doença é mais comum entre homens homossexuais, diz Caio Nahas, proctologista do HC.

"Mas só o contato com áreas infectadas, com os dedos, pode passar o vírus. Não é surpreendente que pessoas que nunca fizeram sexo anal tenham lesões", diz Villa.

Como o risco de câncer, nesses casos, é bem menor, o exame não precisa ser feito em homens héteros sem HIV, segundo Atui. O proctologista diz que quem tem uma lesão por HPV pode ter câncer anal, mas não dá para afirmar que ao tratar a lesão evita-se o câncer.

"Mas quem tiver a lesão vai ser visto de perto e o diagnóstico do câncer será precoce. O exame se justifica por isso."

Villa afirma, porém, que não há pesquisas suficientes para dizer que o papanicolaou é um exame de rastreamento desse tipo de câncer.

"Ainda precisamos de estudos para confirmar que o teste é uma ferramenta preventiva como é o papanicolaou para a mulher."


FOLHA DE S. PAULO

Cresce vacinação contra HPV em mulheres mais velhas

Na bula, a vacina contra o HPV é recomendada até os 26 anos. Mas cresce o número de médicos que recomendam a imunização para mulheres que passaram dessa idade.

Giuliana Miranda

Na última terça-feira, o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, promoveu um simpósio com especialistas do Brasil e do exterior para discutir o tema.

"O ideal é que se vacine por volta dos dez anos. Mas eu recomendaria em qualquer idade. Estudos mostram que a vacina funciona em mulheres até os 44 anos", disse o médico Darron Brown, da Universidade Yale (EUA).

O uso "off label" (diferente do recomendado na bula) já está tão difundido que aparece nos sites e materiais de divulgação de clínicas.

Mas a vacinação de mulheres mais velhas levanta um debate: pacientes que já tiveram contato com o HPV devem ser imunizadas?

"Temos visto que a vacinação após a infeção vale a pena. A mulher que foi contaminada com um tipo de HPV ainda pode ser protegida contra os outros", afirma a médica Adriana Campaner, da Santa Casa de São Paulo.

PIONEIRA

A Austrália adotou a vacina em 2007. Em palestra em São Paulo, Basil Donovan, da Universidade de Nova Gales do Sul, de Sidney, disse que a prevalência de câncer do colo do útero em mulheres jovens caiu mais de 10% nos últimos anos.

Segundo ele, ocorreu o fenômeno chamado "efeito de manada". Só as meninas foram vacinadas, mas isso ajudou a barrar a circulação do vírus entre os homens heterossexuais, o que, por sua vez, reduziu a contaminação das mulheres não vacinadas.

A imunização, feita em três doses, não é oferecida pelo SUS -o Ministério da Saúde ainda não incluiu a vacina no calendário oficial do país. Na rede particular, ela custa em torno de R$ 900.


AGORA SÃO PAULO

Idoso pode pagar menos por plano

O plano de saúde para Idosos poderá ficar mais barato. A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) afirma que está em estudo uma proposta que diminuiria os gastos para idosos com mais de 60 anos. para isso, no entanto, o segurado precisaria aumentar o valor pago mensalmente à operadora enquanto é jovem. Com o intuito de abater prestações do Idoso no futuro, a grana extra seria investida.

Pelo modelo, o segurado escolheria o valor adicional a ser pago mensalmente ao plano. Quanto maior o valor, maior seria o desconto na mensalidade após os 60 anos - quando o orçamento do segurado, normalmente, fica mais apertado.

Considerando um pagamento adicional de R$ 15 por mês, em dez anos, por exemplo, o segurado teria um valor de "prêmio" de R$ 1.800. Esse valor ficaria em uma espécie de poupança durante o período em que não fosse usado e voltaria ao cliente após os 60 anos.

Não há informações de como funcionaria a devolução do valor em caso de mudança de plano pelo segurado.

O novo modelo está em análise. Antes de ser aprovado, ele deverá ser colocado em consulta pública por cerca de 30 dias. A ANS Informa que não há prazo para que a proposta seja divulgada. No entanto a medida está entre as metas a serem cumpridas pela agência neste ano.


Sexta-feira, 06.04.2012

FOLHA DE S. PAULO

Mutações genéticas elevam risco de autismo, diz pesquisa

Risco de desenvolver o transtorno aumenta com a idade dos pais

Cientistas identificaram, pela primeira vez, uma série de mutações genéticas que aumentam o risco de uma criança desenvolver autismo.

Eles encontraram evidências de que o risco aumenta com a idade dos pais, principalmente acima dos 35 anos.

As mutações genéticas são extremamente raras. Juntas, respondem por uma pequena fração nos casos de autismo. Especialistas dizem que o novo estudo deu aos cientistas algo novo: uma estratégia para a construção do entendimento da base biológica do transtorno.

O debate sobre a influência do risco hereditário e de possíveis fatores ambientais no autismo já vem se arrastando há décadas e hoje a maioria dos especialistas concorda que há um componente genético forte.

Mas biólogos buscaram, em vão, por um meio seguro para esclarecer as chamadas desordens de espectro do autismo, incluindo a síndrome de Asperger e dificuldades sociais associadas que vem sendo bastante diagnosticadas.

A nova pesquisa foi divulgada na "Nature" e mostra que há provavelmente centenas ou até milhares de variações genéticas que poderiam prejudicar o desenvolvimento cerebral o suficiente para resultar em atrasos sociais.

"Eu diria que é um ponto de mudança. Nós agora temos um caminho à frente e eu acho que é justo esperar que nós venhamos a encontrar 20, 30, ou talvez muito mais mutações nos próximos dois anos", disse Jonathan Sebat, professor de psiquiatria e medicina celular e molecular na Universidade da Califórnia, em San Diego.

Outros pesquisadores foram mais cautelosos, dizendo que a genética dessas mutações raras não foi ainda muito compreendida a ponto de se chegar a conclusões sobre seu efeito no comportamento de genes específicos.

Os cientistas analisaram o material genético tirado de amostras de sangue de famílias em que os pais sem sinais de autismos geraram filhos com o distúrbio.

Eles se concentraram em alterações que não são herdadas, mas ocorrem espontaneamente antes ou durante a concepção.


FOLHA DE S. PAULO

Pesquisadores sequenciam DNA de bactérias

Além do uso de probióticos e das doenças associadas à flora intestinal, pesquisadores também estão de olho no DNA das bactérias que habitam o intestino.

Um dos projetos de sequenciamento desse DNA é o MetaHIT, que envolve oito países (França, Dinamarca, Alemanha, Itália, Holanda, Reino Unido e China).

O grupo já conseguiu catalogar 3,3 milhões de genes de micróbios de amostras de fezes de cerca de 124 pessoas. Um dos estudos do MetaHIT mostrou que quem tem menor diversidade de bactérias na flora intestinal tende a ser obeso, a ter mais gordura no fígado e responder pior a dietas.

Segundo Joël Doré, pesquisador do MetaHIT, o sequenciamento genético da flora poderá mostrar quem merece recomendações nutricionais específicas.

"Ele também pode determinar o tratamento de doenças intestinais -para um, aumentar a diversidade das bactérias com probióticos, para outro, remédios."

Mas as aplicações das pesquisas ainda estão longe. "É como no genoma humano. Só agora, depois de dez anos, estamos vendo alguns resultados práticos", diz James Versalovic, pesquisador do Human Microbiome Project, dos EUA.


DIÁRIO DO NORDESTE

Gripe A faz terceira vítima do ano no Ceará

Monsenhor Tabosa. Mais um óbito por gripe A (H1N1) no Ceará, totalizando, assim, três mortes, neste ano, no Estado. Desta vez, a vítima era do município de Monsenhor Tabosa, na região dos sertões de Crateús, distante 306 Km da Capital.

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou o óbito de Elizângela Freire da Costa, 32, que faleceu na sexta-feira (30), no Hospital de Referência São Lucas, em Crateús, para onde foi transferida após ser atendida no Hospital e Maternidade Francisquinha Farias Leitão, em Monsenhor Tabosa, no dia 29.

Outros dois parentes da vítima, a irmã e uma sobrinha, de 29 e 13 anos, respectivamente, foram, por precaução, transferidos para Fortaleza, ontem, com sintomas da doença.

Elizângela começou a se sentir mal na segunda-feira (26). Na quarta (28), foi ao Hospital e Maternidade Francisquinha Farias Leitão, onde foi medicada e mandada para casa, sem melhoras. Com tosse e cansaço, voltou ao hospital no dia seguinte, quando foi internada com suspeita de pneumonia. Como os sintomas não aliviavam, ela foi transferida para o Hospital São Lucas.

Segundo a Secretaria de Saúde local, as providências foram no que diz respeito ao bloqueio e medicação.

O coordenador em exercício de vigilância epidemiológica no Município, Ricardo Teles, acredita que a gripe H1N1, por enquanto, está restrita a esse núcleo familiar, que reside no bairro Lagoa Seca, na zona urbana. O bloqueio é realizado na vizinhança. Técnicos da Secretaria de Saúde investigam se a mulher contraiu a doença em contato com pessoas de fora do município.


JORNAL DO COMMERCIO

Lições que vêm de casa

Criado há 25 anos, o Vip Jovem reuniu nesta edição 210 filhos de empregados da Amil. Atentos, os adolescentes ouviram palestra do presidente da empresa, Edson Bueno, que lhes falou sobre os desafios do empreendedorismo nos dias de hoje

O Jovem Vip, projeto social mantido pela Amil há 25 anos, voltou a contagiar os 210 jovens que estiveram presentes na edição deste ano, realizada no último sábado, em um sítio em Vargem Grande. Criado pelo fundador da empresa, Edson Bueno, o projeto tem por objetivo transmitir diferentes conhecimentos aos filhos dos empregados da operadora de saúde. Experiências sobre empreendedorismo, planejamento pessoal, prevenção com a saúde, mercado de trabalho, entre outras abordagens.

Esses foram justamente os temas da palestra feita pelo fundador da Amil e presidente da Amilpar - controladora da empresa - Edson Bueno que, durante a apresentação, reafirmou seu compromisso com o País. "Estamos reunidos com vocês para construir um Brasil ainda melhor.Sonhar grande ou pequeno dá o mesmo trabalho", enfatizou Bueno, mostrando que na construção de um projeto de vida é fundamental fazer escolhas como seguir a própria vontade, conviver com familiares e amigos, divertir-se, educar-se, buscar realização, cultura e prazer - sempre em boas companhias.

Bueno relatou aos jovens, com idades entre 13 e 18 anos, sua história de superação: começou a vida como engraxate até se tornar um dos maiores empreendedores do País, ao criar uma das maiores operadoras de plano de saúde do Brasil, com rede de 22 hospitais próprios.

A força do ambiente colaborativo nos dias de hoje também foi destacada pelo presidente da Amilpar. Para ele, ninguém faz nada sozinho, uma vez que vivemos em rede social, que cada vez mais dependemos um do outro. Nesse sentido, Bueno ressaltou também a importância da força de vontade e da educação obtida fora das salas de aula, como na avaliação dos valores pelos quais a humanidade se re- Lições que vêm de casa MOTIVAÇÃO ge, crendo neles e seguindo-os o mais fielmente possível.

"Por vezes, os jovens pensam que a educação é feita somente na escola, o que, inevitavelmente, conduz a um grave erro. A educação que vamos adquirindo e transmitindo ao longo de gerações tem em vista não só o desenvolvimento escolar, mas também o pessoal, o social, o religioso, entre muitos outros que vocês vão procurar e descobrir", concluiu o presidente da Amilpar.

Conhecimentos

A diretora de Recursos Humanos da Amil, Cláudia Danienne, reforçou que o evento é destinado a transmitir diferentes conhecimentos e orientar os filhos dos colaboradores no momento de suas escolhas profissionais, responsabilidades em prevenção ligadas à saúde e a ter planejamento sobre suas vidas e escolhas. De acordo com ela, o Jovem Vip sempre teve forte repercussão no mercado e excelente aceitação por parte do público para o qual foi criado, com efetiva participação dos pais. "É o projeto de responsabilidade social mais antigo da empresa. Pois é uma forma de somarmos a educação por eles recebida, aos ensinamentos da escola e da vida. Com total cuidado com o conteúdo e com a atitude de inspirar. Certamente eles saem do seminário perseverantes e com visão do futuro", assinalou Danienne.

Além da apresentação do Edson Bueno, o Jovem Vip contou com atividades ao ar livre - exercícios programados para trabalhar questões emocionais e cognitivas, com aplicação no cotidiano - e com um bate-papo com Paul Dinsmore, conferencista internacional e responsável pela implantação do programa no País. "Estimulamos o desenvolvimento de trabalho em equipe, compromisso, confiança, comunicação e perseverança", sublinhou.


Quinta-feira, 05.04.2012

PORTAL DA SAÚDE

ONU elogia Brasil por suas ações de controle da tuberculose

O secretário-geral da ONU destacou o importante papel das políticas públicas adotadas pelo governo brasileiro na melhoria da qualidade da atenção à tuberculose no SUS

O Brasil foi reconhecido pela ONU por seus esforços para o controle e redução dos casos de tuberculose no país. O elogio chegou por meio de carta encaminhada à presidente Dilma Rousseff, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, que ressaltou os avanços verificados no Brasil por meio do Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) do Ministério da Saúde.

Ban Ki-moon parabenizou o governo brasileiro pela diminuição do número de casos novos e da taxa de mortalidade da doença. Contudo, lembrou que 22 países carregam juntos cerca de 80% da carga mundial de tuberculose. O Brasil figura entre esses países, ocupando, no entanto, a última posição em taxa de incidência, prevalência e mortalidade.

Em 2011, a tuberculose atingiu 8,4 milhões de pessoas e a doença causou a morte de 1,4 milhão de cidadãos em todo o mundo. Por isso, o secretário-geral destacou a importância do país continuar empenhado na redução dos casos. Ele também pediu apoio do governo brasileiro para estender estes avanços a outros países. “Quando analisarmos nossos resultados sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, em 2015, devemos ser capazes de dizer que contribuímos para a corrida rumo ao desaparecimento da Tuberculose”, disse Ban Ki-moon.

O secretário-geral reforçou ainda o apoio ao Brasil por intermédio da Organização Mundial de Saúde e do programa Stop TB Partnership.  Ele destacou a inclusão da tuberculose no plano Brasil Sem Miséria, elaborado para elevar a renda e oferecer melhores condições de vida para a população.

O esforço do Brasil para a diminuição dos números da tuberculose também foi reconhecido no Relatório Anual da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a Tuberculose (Global Tuberculosis Control - WHO Report 2011) e na edição de março do Lancet, um dos jornais médicos mais respeitados da Inglaterra. O periódico destacou que o Brasil, onde a incidência da doença cai há 15 anos, possui um modelo de acesso universal à saúde.

Avanços

O número de casos registrados no último ano no país caiu 3,54%: foram registrados 71.790, em 2010, contra 69.245, em 2011. Pela primeira vez, os casos de tuberculose foram inferiores a 70 mil.

Em 2001, a taxa foi de 42,8 casos para 100 mil habitantes. Caiu, em 2011, para 36,0. Uma queda de 15,9 pontos percentuais na última década. Em relação à taxa de mortalidade, em 2011, foi de 3,1 óbitos para cada 100 mil habitantes. Contudo, caiu para 2,4 em 2010, uma queda de 23,4% ao longo dos últimos 10 anos.

Determinantes sociais

À medida que a tuberculose diminui na população em geral, em alguns segmentos a doença se distribui de forma mais concentrada. Os grupos populacionais mais vulneráveis são aqueles que vivem em condições desfavoráveis de moradia e alimentação, em conglomerados humanos, e entre pessoas com sistema imune deficiente e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.

Entre as ações desenvolvidas pelo Ministério da Saúde no controle e combate à doença está à ampliação do orçamento em 14 vezes, desde 2002. Naquele ano, os recursos foram de US$ 5,2 milhões, aumentando para US$ 74 milhões em 2011. Destacam-se o esforço para ampliar as notificações dos casos de tuberculose na Atenção Básica, um alcance de 56,3%; o aumento 71,5% na oferta de tratamento diretamente observado; o aprofundamento da parceria entre o Ministério da Saúde e os setores; e o desenvolvimento de cursos de capacitação de profissionais da área de saúde.

PNCT

O programa privilegia a descentralização das medidas de controle para a Atenção Básica, ampliando o acesso da população em geral e das populações mais vulneráveis ou com o maior risco de contrair a tuberculose. O controle da doença é baseado na busca de casos; no diagnóstico precoce e adequado; e no tratamento até a cura, com o objetivo de interromper a cadeia de transmissão e evitar possíveis adoecimentos.


SAÚDE S/A

Hospitais e Clínicas devem adotar Programa Nacional de Qualidade em Mamografia

O País segue sua busca pela eficácia nos exames de mamografia. Com avanços, é verdade. Clínicas e hospitais - públicos e particulares - que realizam o exame no país adotarão o Programa Nacional de Qualidade em Mamografia, efetivado pelo Ministério da Saúde por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União. O programa já está em vigor.

A nova portaria é resultado de amplo estudo viabilizado financeiramente pelo Instituto Avon em 2008 e realizado por Instituto Nacional de Câncer (Inca), Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Serviços de 53 unidades SUS nos municípios de Porto Alegre, Belo Horizonte e Goiânia, e no estado da Paraíba, passaram por análises detalhadas de qualidade dos equipamentos e das avaliações de radiologistas e profissionais envolvidos com o exame, de acordo com normas e padrões de qualidade da Anvisa e CBR.

Segundo o Inca, exames realizados têm apresentado resultados muito aquém do esperado. Estima-se que 60% das mamografias realizadas em todo o Brasil contenham erros. Sujeira, impressões digitais, revelações mal feitas, chapas tremidas ou riscadas, filmes inadequados para este tipo de exame e a utilização errada do aparelho são alguns dos equívocos mais comuns e que acabam levando a um diagnóstico errado ou tardio.

A partir de agora, esse quadro deve começar a mudar. De acordo com a nova norma, serão avaliadas imagens da mamografia, laudo médico, capacitação dos profissionais de saúde e taxa de detecção de câncer de mama pelo exame.

O monitoramento anual será feito por comitê com representantes do ministério, da Anvisa, do Inca e de sociedades médicas. A Agência Nacional de Saúde Suplementar será responsável por baixar norma obrigando os planos de saúde a contratarem somente prestadores de acordo com o programa.

A mamografia deve ser feita regularmente por mulheres com mais de 40 anos de idade. "É fundamental para a detecção precoce e o tratamento adequado do câncer de mama que a qualidade dos exames mamográficos seja incontestável", destaca Cipriani.

O Inca estima 52.680 novos casos de câncer de mama este ano no Brasil. "Quando a doença é detectada no início, 95% dos casos têm cura", garante Dra. Rita Dardes, diretora médica do Instituto Avon. "Mamografias feitas regularmente reduzem em até 35% o risco de mortalidade", explica.


ESTADÃO.COM.BR

Fabricantes terão que atualizar número do Disque Saúde nas embalagens de cigarros

Empresas terão prazo de três meses para adequar as embalagens e os materiais de propaganda

As imagens de advertência obrigatórias nos rótulos dos produtos derivados do tabaco vendidos no Brasil deverão conter a logomarca e o novo número do serviço Disque Saúde (136).

A atualização do número do Disque Saúde será obrigatória também nas imagens de advertência presentes nos materiais de propaganda dos produtos derivados do tabaco.

A determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi publicada nesta quinta-feira, 5, no Diário Oficial da União. Os fabricantes, as empresas e as importadoras terão prazo de três meses, a contar de hoje, para adequar as embalagens e os materiais de propaganda às disposições da resolução.

Os produtos derivados do tabaco que tiverem o número antigo do Disque Saúde - 0800 611997 - poderão continuar no mercado no prazo até seis meses, contados de hoje.

A resolução publicada hoje altera as resoluções nº 335, de 21 de novembro de 2003 e nº 86, de 17 de maio de 2006, que dispõem sobre as embalagens de produtos derivados do tabaco.

AGENDA

 

- 37° Congresso da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo

Data- 12 a 14 de Abril de 2012

Local- Hotel Windsor - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ

Email- mailto:retina29012@interevent.com.br

Site Oficial- http://www.interevent.com.br/

- 13th World Congress on Public Health

21/04/2012 a 29/04/2012

Local: Addis Abeba - Ethiopia

Outras informações: http://wfpha.confex.com/wfpha/2012/cfp.cgi

- World Nutrition Rio 2012

27/04/2012 a 30/04/2012

Local: Rio de Janeiro - RJ

Outras informações: http://www.worldnutritionrio2012.com.br