A PALAVRA DO PRESIDENTE

José Carlos Abrahão

     É pública e extremamente grave a crise que assola o setor saúde como um todo no Brasil. Os impasses, falhas e demandas do sistema criaram eco em toda a sociedade. A redução do número de leitos, o fechamento de diversas unidades, a defasagem dos preços de diárias e taxas, a alta carga tributária, os sucessivos aumentos nos preços de medicamentos e materiais médico-hospitalares são apenas algumas das inúmeras dificuldades observadas no dia-a-dia dos estabelecimentos e serviços de saúde.
     Atualmente, cerca de 38 milhões de brasileiros dependem do sistema suplementar, número que, embora alto, revela uma evasão de usuários. Nos últimos cinco anos, o sistema perdeu cerca de oito milhões de usuários, uma redução da ordem de 20% em menos de uma década, o que tem levado conseqüentemente a um aumento do número de atendimentos pelo SUS.
     Apesar das dificuldades, este ano, porém, conseguimos algum alento para o segmento, como a manutenção da alíquota antiga da Cofins para todos os estabelecimentos e serviços de saúde, além da correção de alguns valores na tabela do SUS. Sabemos que nossos serviços credenciados ao SUS ainda encontram-se com seus valores defasados, mas já houve um avanço.
     Esta Confederação também vem acompanhando de perto o andamento de vários projetos de lei do setor no Congresso, além da tramitação daquele que versa sobre a criação do Sistema S da Saúde - o SESS/SENASS -, que atualmente encontra-se na Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal.
     Infelizmente, no que tange à reforma sindical, a CNS não obteve assento no Fórum Nacional do Trabalho, criado especialmente para discutir o assunto, apesar de termos nos apresentado e disponibilizado dentro dos devidos prazos. Porém, mesmo assim, temos acompanhado todo o processo de discussão da matéria. Estamos atentos e preocupados e ainda temos esperança de sermos incluídos nesse tão importante debate.
     Sabemos que ainda há muito por fazer e esperamos, sinceramente, ter novas vitórias para compartilhar ao lado de nossos parceiros, colaboradores e companheiros de luta, mas já demos alguns passos de fundamental importância e grande repercussão em nosso meio.
     A CNS, através dos membros de sua diretoria, tem se empenhado em ampliar cada vez mais o debate dos temas que afligem a área junto ao Ministério da Saúde, ANS, Anvisa, demais órgãos governamentais e diversos atores envolvidos no sistema. Nosso objetivo maior é a busca constante de uma política mais justa para o segmento como um todo e de uma revisão nos modelos e valores atualmente praticados.
     Temos consciência, no entanto, de que esta é uma luta longa e desgastante e, para obter melhores resultados, necessitamos de uma união ainda maior, que permita sempre um diálogo franco, aberto e democrático entre todos os integrantes do nosso sistema. É nisso que acreditamos!

José Carlos Abrahão

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