A PALAVRA DO PRESIDENTE
José Carlos S. Abrahão
É pública e
extremamente grave a crise que assola o setor saúde como um todo no Brasil. Os
impasses, falhas e demandas do sistema criaram eco em toda a sociedade. Sem
dúvida, o segmento atravessa seu momento mais delicado, especialmente no que se
refere ao relacionamento com as operadoras e demais tomadores de serviços,
autoridades governamentais e políticas.
A redução do número
de leitos, o fechamento de diversas unidades, a defasagem dos preços de diárias
e taxas na rede privada, a alta carga tributária, os sucessivos aumentos nos
preços de medicamentos e materiais médico-hospitalares são apenas algumas das
inúmeras dificuldades observadas no dia-a-dia dos estabelecimentos e serviços
de saúde.
"Atualmente, cerca de 36 milhões de brasileiros
dependem do sistema suplementar..."
Atualmente, cerca
de 36 milhões de brasileiros dependem do sistema suplementar, número que, embora
alto, revela uma evasão de usuários. Nos últimos cinco anos, o sistema perdeu
cerca de oito milhões de usuários, uma perda da ordem de 20% em menos de uma
década, o que tem levado conseqüentemente a um aumento do número de
atendimentos pelo Sistema Único de Saúde.
No que se refere
ao SUS, a situação também é crítica. Trata-se de um modelo de assistência vital
para o país e responsável hoje pelo atendimento de 130 milhões de brasileiros.
Atualmente, o SUS dispõe de quase seis mil hospitais privados, com ou sem fins
lucrativos, que juntos respondem por um total de mais de 400 mil leitos.
Estamos falando de um braço fundamental no atendimento a nossa população, que
também enfrenta sérias distorções, especialmente no que se refere à alta
defasagem de preços. Dentre mais de mil procedimentos utilizados, o Ministério
da Saúde fez, em 2003, uma tímida revisão dos valores de apenas cerca de 300
deles, que apesar disso continuam bastante defasados